Epílogo

Houve uma época em que achei que tudo o que escrevia, um dia teria um significado muito profundo para as pessoas e eu seria alguém importante.

Em algum momento da minha vida eu perdi qualquer capacidade que tive de juntar palavras da forma certa pra que elas tivessem um significado, e isso foi motivo ou consequência dos meus pensamentos terem entrado em estado vegetativo. Algumas coisas são tão difíceis em se mostrarem profundas por sí só que parece que a vida acontece em 2D.

Houve uma época que eu tinha certeza que um dia ia ser a melhor em alguma coisa e responsável por alguma revolução essencial.

Hoje se eu conseguisse citar pelo menos uma coisa em que eu sou inegavelmente boa já ficaria orgulhosa. E o problema disso não é nem a minha satisfação pessoal, não, é algo bem menos relevante. Como eu posso explicar uma coisa dessa numa entrevista de emprego, por exemplo? Aliás, como viver com bom humor quando você assume esse tipo de coisa em um país e época que até pra ser atendente de fast-food você tem que se destacar? Funcionária do mês? That shit ain’t for me.

Houve uma época que eu acreditava que um dia ia encontrar alguém legal, namorar, casar, procriar.

Mas chegou-se em um ponto da vida social que se relacionar com qualquer outro ser pensante vira um desafio, e o que exigimos de companhias-pra-vida-toda fica complexo até pra gente. Eu analiso instantaneamente. Frases, brincadeiras, amigos, broncas, pai, mãe, analises, minhas analises. Não é que eu adoro fazer isso, é só alguma coisa incontrolável. O difícil é dar sorte de, entre tantas pessoas que convivem com você, encontrar algumas com defeitos que não te incomodem tanto. E quem vai provar que o amor não é só isso?

Houve uma época, entretanto, que podia ver e ouvir qualquer coisa e ficar ok.

Até o dia que eu percebi que, talvez eu só esteja vendo as coisas por outros ângulos, talvez eu só esteja começando a entendê-las. Talvez eu exija de mim tanto quanto exijo dos outros e não preciso ser premiada por ninguém, porque é tudo um conceito social que depende da percepção de outras pessoas sobre o que é melhor e o que é pior. Talvez querer mais seja apenas o primeiro passo pra se ter mais. E talvez, não ficar triste o suficiente também não seja bom.

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3 comentários sobre “Epílogo

  1. Li esse post e lembrei de tudo que eu imaginava/esperava da minha vida adulta quando era criança – e de como as coisas foram acontecendo, mudando, e tudo que ficou pra trás (pelo menos por enquanto). Eu imaginava que com 25 anos eu já estaria casada, com filhos, com uma carreira de sucesso e etc. Hoje tenho 24 e vi que as coisas estão MUITO longes de serem assim, e do quanto tudo pode ser mais difícil do que a gente imagina quando é criança, né?

    No final as coisas mudam, a gente muda (já não me imagino casada antes dos 30 e carreira de sucesso, nem se fale – nem sei se um dia chegarei lá). Além disso, hoje eu queria voltar a ser criança, tanto quanto quando eu era criança e queria ser adulta.

    Beijos e um ótimo 2015 procê 🙂

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    • Verdade, mas vamos combinar que dá um certo alivio a vida não ser como a gente imaginava. Crescer tem seus pontos positivos, ahaha
      Mas quando a gente chega na faculdade, na idade de sair sem pedir dinheiro, nem precisar que a mãe da amiguinha leve a gente, percebemos a delicia que era voltar da escola e assistir tv cultura o resto do dia!

      Ótimo 2015 pra você também! 🙂

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