Look at them

Noticia da semana que acabei de descobrir: o jornal norueguês Aftenposten produziu, ano passado, um reality show com três blogueiros de moda. Mas nada de desfiles, dicas de moda ou looks do dia. Frida, Ludvig e Anniken foram levados para Camboja, para conhecer a rotina de trabalho em fábricas têxteis que oferecem péssimas condições de trabalho e salários. Os três chegam no destino achando que viveriam um emocionante passeio pelo mundo, mas dão de cara com outra realidade quando são levados para morar e trabalhar com os cambojanos que vivem esta situação diariamente.

O Sweatshop, Deadly Fashion está disponível no site do jornal com legendados em inglês, e eu estou só terminando de escrever isso aqui pra ir lá começar a assistir (e não me importarei nem um pouco em transformar os comentários desse post em um fórum sobre o assunto).

(O nome sweatshop remete aos locais de trabalho apertados e sem ventilação)

Nada mais conveniente e inspirador pra mim, que há muito planejava desabafar sobre como a blogsfera virou um catálogo. Entendo e acho incrível como muitas pessoas conseguiram transformar seus blogs em trabalho e fonte fixa de renda, mas parece que estamos ultrapassando uma linha não-tão-tênue-assim entre publicidade e encarnação de mostruário.

Na verdade, comecei a acompanhar blogs relativamente há pouco tempo, pra me inspirar e motivar a criar um canto onde eu pudesse escrever qualquer besteira sem ser incomodada. Acredito que eu mais tenha me desmotivado do que o contrário. Percebi que os mais famosos eram basicamente uma compilação de “Olha o que eu comprei”, “Olha o que eu ganhei”, “Olha minha wishlist”, “Olha o que você também pode comprar”, e todos eles seguidos de links que te levam às lojas e formas de pagamento. Por mais forte que eu tente ser, eu sei que essa tendência faz eu questionar o meu conteúdo. É a oscilação entre apertar o botão de Publicar do WordPress ou o de Salvar do bloco de notas. Porque não importa pra ninguém o que você pensa se eles não souberem o que você usa.

Utilizar da influencia de blogueiros é uma ferramenta de publicidade bem comum atualmente. Aparentemente só eu me incomodei quando uma Editora me mandou email pedindo para eu divulgar um livro publicado por eles “mesmo não sendo parceiros” (Nota: contraditoriamente, sou hiper fã de parcerias entre blogs e editoras).

Afinal de contas, qual o problema?

O problema é que hoje, qualquer menino ou menina que se empenhe e consiga visualização suficiente, pode ser uma ferramenta de marketing mais eficiente do que a Gisele Bündchen de calcinha e sutiã num outdoor, e a ideia de que você pode ficar tão linda e fofa e ter tantos likes e shares quanto a linda e fofa do blog que você atualiza compulsivamente (“é só clicar aqui, pagar, e o produto que você nunca tinha ouvido, mas já precisa mais do que ar pra sobreviver estará na sua casa em 5 dias uteis”) atropela sem dó a ideia de que do outro lado do mundo (ou da rua) alguém está vivendo condições desumanas de trabalho para se sustentar produzindo essas coisas que daqui a duas semanas estarão perdidas no fundo da gaveta. O problema é que essas coisas todas são lindas sim, eu sei e muitas vezes também quero elas, mas todo mundo sabe porque manequim de loja não tem cabeça.

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