Universo

Dentre as coisas que me dão agonia no mundo, uma das mais persistentes é saber que a única pessoa que eu posso ser no mundo sou eu. Independentemente de haver mais de uma vida disponível para cada alma, alguém só o é, e só se percebe como o sendo uma vez.

Ser só uma pessoa é algo tão óbvio e natural que soa uma besteirola a toa. Até o momento que você percebe que para todo lugar que olha, você vê apenas uma direção. E tudo o que você pensa preenche apenas uma mente, por mais que se compartilhem ideias. Tudo o que se viu pertence a somente uma memória, e até mesmo fotos e palavras podem ter significados diferentes para cada par de olhos. Eu não posso garantir que você entenda exatamente o que estou querendo dizer agora, porque o meu entendimento esta limitado a mim e só, afinal, quando você entende alguém, está, no máximo, entendendo o seu entendimento sobre o que outra pessoa entende.

E mais: você nunca se verá de frente. Nem em um espelho, porque obviamente o que se vê é um reflexo. Você nunca verá também o cantinho do pescoço, por mais que ele possa ter feito alguém se apaixonar. E você nunca vai saber a cara estranha que faz enquanto ri ou come. Pode ver inteiramente todas as outras coisas a sua volta, menos você mesmo.

Nos dias otimistas, isso só mostra que essa coisa de vida diz respeito somente a você. Nos pessimistas, mostra que estará sempre ciente de apenas uma parcela de tudo, sempre preso em corpo.

Um pedaço inteiro. Pequeno demais. Grande demais.

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