It – Stephen King

Existe uma coisa a meu respeito que você tem obrigação de saber. Eu gosto de histórias de terror. E eu gosto muito de Stephen King.

Stephen King é aquele senhor fofo que transborda desgraça e mistério fazendo você se afogar nas próprias lágrimas e suor – ou flutuar nesse caso. A missão dele é fazer você cagar na calça – e ele vai conseguir. Ele é também aquele senhor que sabe falar de amor e amizade numa história de terror que envolve, crianças desmembradas, enchentes e um bicho que toma a forma daquilo que mais te dá medo, tipo um palhaço te oferecendo balões.

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Terminei essa semana a minha leitura de janeiro e eu ainda não consegui lidar com o final desse livro. É. It “A coisa” é algo tão sensacional que estou há horas olhando pra tela do computador sem saber o que dizer, só sentir.

Como a maioria das histórias do King, você provavelmente já ouviu falar, mesmo que não saiba, no Pennywise, já assistiu o filme ou alguma cena de Uma obra-prima do mal, já achou melhor ficar longe de bueiros e ralos de pia e banheiros só porque sim – e faz muito bem.

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“Eu, Georgie, sou o sr. Bob Gray, também conhecido como Pennywise, o Palhaço Dançante. Pennywise, este é George Denbrough. George, este é Pennywise. E agora, nos conhecemos. Não sou um estranho pra você, e você não é um estranho pra mim. Certim?”

Aconteceu o seguinte:

Derry, o inferno uma cidadezinha do Maine, é desde sempre assombrada por um ser do mal que acorda a cada 27 anos mais ou menos pra se alimentar de medo e carne de criança. Ele faz isso atraindo os pequenos  com sua simpatia e capacidade de se transformar naquilo que mais os aterroriza. Mas engana-se quem acha que “ai, o que tem de bom em uma coisa assim?”. It é, acima de tudo, uma história sobre amor e amizade. Isso porque quando A Coisa acorda em 1957, um grupo de sete crianças (fofuritasss) aceita a missão de destruí-la, não importa o que aconteça. Então, quando ela volta, quase 30 anos depois, todos encaram a obrigação de cumprir um pacto selado na infância (alguns melhor do que os outros). Agora, se isso não é foco, meus amigos, eu não sei o que é.

Após o tal pacto, Bill, Bev, Ben, Eddie, Stan e Richie saem de Derry e vão construir suas vidas bem sucedidas ao redor do mundo, sobrando para Mike a missão de chamá-los de volta pra bagunça quando tudo começa de novo. Aqueles se esquecem de muito do que aconteceu na época, aproveitam a maioridade e a riqueza, e não mais pensam no terror absurdo que viveram quando moleques – o que eu entendo muito bem. Quem mais pensa na infância como se fosse um filme que tivessem assistido, ou um conto que tivesse escutado e não como momentos que viveram de fato?

Mas quando voltam para a cidade, quando se reencontram, os Otários estão na verdade voltando pra infância, estão voltando a ser criança e estão reaprendendo tudo.

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Assim, o livro vira um relato de memórias da infância, das descobertas do que é o amor, a amizade verdadeira, do que é poder confiar cegamente em alguém, e claro, do que é cagaço de verdade. Stephen tem uma sensibilidade incrível, como se ele, com mais de 60 anos, soubesse melhor do que ninguém o que pensa e sente uma criança. Como se ele não tivesse nunca esquecido as sensações que se perdem quando vem a “adultecência”. Juntando isso à uma bagunça temporal muito doida, referencias egocêntricas e descrições como só o mestre sabe fazer.

É de fazer xixi na cama? é!
Eu passei a gostar menos ainda de ir no banheiro a noite e dormir com os pés descobertos? sim!
Eu não passo mais perto de ralos, bueiros, riachos, e qualquer coisa ligada à redes de esgoto? ô!

Mas é principalmente, como toda história de terror deve ser, sobre superar o medo. E o que é aquela baratinha que passou voando e te fez dar gritinhos em comparação à Pennywise, o Palhaço Dançarino, certo?

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Em tempo, a edição da Suma está linda, com formatação deliciosa de ler mesmo com o 1kg que ele pesa. A tradução da Regiane Winarski é impecável e agradeço de coração por ter mantido o nome original do nosso querido palhacinho, e por “Clube dos Otários” (“Parciomonioso” e “Clube dos Derrotados” uma ova). São 1102 páginas mais do que indicadas.

Parciomonioso? Sério?

“Monstros da TV, do cinema e dos quadrinhos não eram reais. Não até você ir para a cama e não conseguir dormir; não até as últimas quatro balas, enroladas em lenços de papel e guardada debaixo do travesseiro contra os males da noite, serem comidas; não até a cama virar um lago de sonhos horríveis e o vento gritar do lado de fora e você ter medo de olhar pela janela porque poderia haver um rosto ali, um rosto antigo e sorridente que não apodreceu, mas simplesmente secou como uma folha velha, com os olhos como diamantes afundados empurrados no fundo de órbitas escuras; não até você ver a mão enrugada como uma garra segurando um monte de balões: Veja o local, pegue um balão, alimente os elefantes, ande na montanha-russa! Ben, ah, Ben, você vai flutuar…” (página 214)

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3 comentários sobre “It – Stephen King

  1. Que lindo e fofo o seu review! Me deixou com vontade de ler, apesar do 1kg xD

    Ah, to orgulhosinha de ver você postando até com frequência por aqui! (principalmente considerando que já vai fazer um mês que eu postei dizendo que ia voltar e cadê? D:)
    Vou criar coragem, prometo, só preciso de um empurrãozinho na minha procrastinação, rs.

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