50 questions #2 e Jostein Gaarder

Atenção: Isso não é um texto motivacional
2. O que é pior, falhar ou nunca tentar?

A Garota das Laranjas (aceito) é um livro curtinho, mas muito lindo como a maioria das coisas escritas por Jostein Gaarder. É sobre um garoto que recebe cartas do seu pai já falecido que, entre várias histórias sobre estrelas e lições de vida, conta coisas do tipo como ele conheceu sua esposa e as filosofias da vida. Lembro que li este livro no computador, e houve um espaço de 5h entre o momento que comecei a ler, e o momento que cheguei na última palavra, com os olhos cheios de lágrimas. Foi o único livro, até hoje, que me fez chorar. Foi a primeira vez que me pensei nessa pergunta. Em uma parte da história, o pai do garoto (que já não lembro o nome) lança a pergunta “É melhor ter uma coisa sabendo que se pode (e que vai) perdê-la ou é melhor nunca ter e não sofrer a perda?”. E é melhor correr atrás de uma coisa que se quer e correr o risco de falhar ou é melhor ficar de boinha, deixar pra lá, evitar frustrações?

A resposta, teoricamente, é obvia. Não conheço alguém que teria coragem de levantar a mão e dizer “eu prefiro ficar quietinho na minha, obrigado”. Mas então por que estamos tão acostumados a deixar sempre tudo pra lá? Por que temos tanto medo de falhar se sabemos que, no fim, as coisas tendem a virar pó? “Por que sim?” é uma pergunta válida, eu sei. Mas “por que não?” é uma pergunta muito mais sensata. Será que é a vergonha do fracasso que supera a liberdade da tentativa?

Faz sentido evitar perdas desnecessárias de energia, principalmente quando a ideia é buscar alguma coisa fora de qualquer realidade possível. É aquela ideia do peixinho tentando voar. Nós não somos peixinhos, somos pessoinhas. Pessoinhas também não têm asas, mas um dia uma quis tanto voar e adivinha o que podemos fazer hoje.

Nesse momento sou levada a pensar em algo que talvez tenha a sua importância. Você provavelmente já ouviu aquela tal frase “Todo mundo é um gênio, mas, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, ele vai gastar toda a sua vida acreditando que é estúpido”. Da mesma forma, se formos tentar entrar num consenso do que é falha, muita gente vai sair daqui fracassado. Poderia acrescentar outra pergunta à lista: “Quando foi que paramos de viver as nossas vidas como nossas e criamos um modelo de sucesso único? Por que deixamos de buscar fazer o que nos define como nós mesmos?”

Talvez seja tudo bem pensar e dizer pra você mesmo que é melhor deixar pra lá algumas coisas. Talvez o problema apareça realmente quando for algo normal dizer em voz alta.

Anúncios

Um comentário sobre “50 questions #2 e Jostein Gaarder

comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s