Comprar suco de caixinha e jogar a embalagem no lixo orgânico

Pois bem.

Talvez eu tenha, oficialmente, voltado ao meu estado natural de naturalizar a vida social. Que eu tenho uma tendência a preferir as coisas sujas de terra vocês devem ter percebido, mas ultimamente eu tenho aprofundado minhas agonias com o nosso relacionamento com o mundo. Queria demonstrar que não sou tão estranha assim, que o mundo atual realmente não faz muito sentido às vezes, mas como textão-desabafo é repelente, cá está o modelo alto astral de algumas das maluquices cotidianas das coisas que o homem precisa parar de fazer com a casinha que o papai do céu deu pra ele.

1. Asfaltar o super mercado gratuito

Todos nós sabemos que existe um processo de fabricação de alimentos muito simples chamado “plantar a semente no chão e deixar crescer”. Em algum momento resolvemos optar por outro processo que é um pouco mais complexo: 1º passo: Pegamos o petróleo que está embaixo da terra e colocamos por cima, impedindo que a comida consiga crescer; 2º passo: Plantamos a comida num lugar bem pequeno, que ninguém sabem bem onde é, nem o que tem lá; 3º passo: Enrolamos a comidinha num monte de saco plástico e levamos ela do ponto indefinido para o ponto super mercado; 4º passo: Depois de trabalhar diversas horas por dia e recebermos algum dinheiro por isso, pegamos uma parcela desse pagamentos, dirigimos por cima do petróleo que agora está em cima da terra até o mercado e trocamos esse dinheiro pela comidinha. Aquela que nasce da terra, isso mesmo.

Gente, é de g r a ç a!

2. Colocar água em garrafa e torneira

Atualizem os livros de ciências das escolas com o Ciclo da Água moderno: “Futucamos florestas e rios para purificarmos a água poluída e as pessoas poderem beber e se limpar” > “As florestas não evapotranspiram água porque não tem mais floresta, então quase não chove mais” > “A água que está na atmosfera precipita, caí na superfície, inunda tudo, se suja toda, e vai pra algum rio” > “No rio a água pode continuar lá nojenta imunda, ou ir pra estação de tratamento onde vamos colocar fluor, cloro, sódio, chamar de potável, e mais umas coisas, e você vai beber achando que tá delicia”. Sabia que quando você compra uma garrafa de água, você está literalmente comprando o trampo de por a água numa embalagem?

Queria ir comprar água pra matar minha sede, mas não pára de chover.

3. Não se importar com o seu lixo

Cada vez que vai beber um cafézinho no trampo é um copinho, cada 5min de preguiça de espremer uma laranja é uma garrafinha, cada janta é uma porrada de bandeijinhas de isopor de comida já picada, cada pausa pro cigarro é uma bituca a mais no chão. E diariamente repetimos o mantra do “Todo mundo faz”, “Mas eu vou jogar tudo no lixo depois”. Isso num país que ainda pena para acabar com lixões, meusamigo, vale de nada, viu?

3. b. Achar que está gerando empregos

Apenas parem, porque eu não consigo nem formular uma frase delicada pra explicar claramente que se você acha que é ok jogar lixo no chão porque está gerando empregos de catadores, você é um babaca.

Fiquei triste quando me demitiram do circo, mas agora ta tudo bem.

4. Achar que você é uma espécie a parte (e a mais legal de todas)

Você não é. Você vive no mesmo mundo que todos os outros seres, você usa a mesma água que as outras espécies, respira o mesmo ar, tem um processo de vida basicamente igual e metade do seu DNA é idêntico ao de uma banana. Vamos aprender a conviver, ta certim?

wow!
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