Divertida mente (e a utilidade das histórias infantis)

Da lista de 101 coisas pra fazer, uma que já está fadada a não ser riscada é ir ao cinema 10x em um ano. Não sei bem quando ir ao cinema deixou de ser um entretenimento e passou a ser um evento tão luxuoso quanto a premiação do Oscar, mas consigo fazer uma lista de tantas coisas que podemos fazer com o equivalente ao investimento.
Passados desabafos, assisti Divertida mente e posso dizer que valeu o preço, apesar da reclamação ainda ser válida porque não importa.

Eu sou, abertamente, uma amante de histórias para criança. Na verdade eu acho que quem descarta uma história infantil é um bunda mole, porque todas elas jogam lições de vida na sua cara e ninguém é velho demais pra aprender a viver – só pra conseguir perceber as tais lições. Existe uma simplicidade complexa no mundo quando você ainda não viveu o suficiente pra aceitar alguns moldes e leis da vida, e não faz mal nenhum tentar esquecer eles de vez em quando. E como, de forma generalizada, o que achamos enormes obstáculos são apenas probleminhas que se repetem e mudam de situação, às vezes a unica coisa que precisamos é de uma ingênua metáfora colorida.

inside-out-personality-islands

A Pixar sabe explicar a vida com maestria. Fizeram marmanjos chorar com a definição de amizade de Toy Story e deixaram claro que você estava certo quando achava que seus brinquedos tinham vida mas não queriam que você soubesse disso. Depois aprendemos que velhos ranzinzas podem amar sim, mas você nunca sabe pelo que eles passaram, e nem ate onde você pode ir quando querem demolir a sua casa. E pra quem acha que distopia não é coisa pra criança e que não pode falar do fim do mundo, fizeram Wall-e.

Eles devem ter um departamento de estudo-de-coisas-que-acontecem-quando-ninguém-está-olhando que responde todas as perguntas do Universo. Se você sempre quis saber, por exemplo, como funciona a cabeça de uma pessoa e porque lembramos de umas coisas e outras não, você tem a sua resposta porque dessa vez eles conseguiram materializar aquela ideia que toda criança tem de que sua mente é controlada por serezinhos, explicar a complexidade da mente e a importância das merda que acontece na vida. Tudo num roteiro impecável, que te faz ficar semanas pensando no que, afinal, te fez ser o que você é? Quais momentos e memórias e sentimentos definiram a sua personalidade? Quais são suas ilhas, quem tem mais controle dos botõezinhos da sua cabeça, onde foi parar Bing Bong, meujesusinho?

Pois bem, se aceitarem uma dica, aprendam a viver com histórias infantis durante a da vida toda. No mais, estou aqui esperando a Tristeza ser arrastada pra pegar o Oscar de melhor amorzinho do mundo.

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9 comentários sobre “Divertida mente (e a utilidade das histórias infantis)

  1. Fui ao cinema mês passado com a minha irmã para assistir Divertida mente e o mais engraçado foi ver todos os “marmanjos” chorando no final do filme por entender toda a situação, enquanto as crianças tavam amando pelo desenho em si. Filmes animados e desenhos devem sim ser aproveitado por adultos, acho que enquanto a criança gosta do filme por certos fatores os adultos gostam por outros e cada um pode aproveitar um pouco.

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