Este não é um post bonito

Eu já tinha planejado fingir que esqueci o BEDA hoje, já tinha planejado assistir um episódio de qualquer coisa e dormir. Aí abri o facebook por causa do hábito maldito e, como acontece o tempo todo na internet, eu fui levada à diversas outras coisas que não apenas uma série no Netflix. Já tinha ouvido falar no vídeo da tartaruga, mas também, como de praxe, não sabia do que se tratava e passou. Mas agora, agorinha mesmo, eu descobri o que é o vídeo. Segue este, e o motivo de eu ter aberto o WordPress assim que ele acabou, é bem claro.

Desculpa, gente, este não é um vídeo bonito. Eu gosto de falar e mostrar coisas legais, gosto de registrar coisas bonitas, quero lembrar de coisas boas. Mas esse vídeo é extremamente necessário. É necessário pra que muitos entendam, de uma vez por todas, que a sua passagem na Terra tem a porra de uma consequência. Por mais rápida e desconhecida que ela seja, a sua vida impacta em outras. O que você consome, o que você veste, o que você compra, muitas vezes vive mais do que você.

Eu já fui e ainda sou muito criticada pela minha impaciência com a falta de noção das pessoas. Porque eu sou dessas que reclama quando o vizinho lava a sarjeta com mangueira, quando alguém joga lixo na rua, quando vendem mexerica descascada embrulhada em saco plástico. Porque é muito mais natural e aceitável que as pessoas usem tudo da forma que quiserem, do que alguém ficar indignado com o descaso.

Eu não ligo. Eu não quero entender que as pessoas têm direito de usar água suficiente pra abastecer 30 represas se elas estão pagando por isso, nem que as pessoas ainda acham que podem jogar lixo na rua porque a lixeira estava longe, nem que o tempo de alguém é muito precioso ou que a demanda do mercado exige a produção de canudos. Eu não quero ver lógica no “mas todo mundo faz”, “só mais um não faz diferença”, “alguém vai jogar no lixo”, “no caminhão mistura tudo mesmo”. Está na hora das pessoas verem, assim como é mostrado no vídeo, que o mundo não tem saída, o mundo não tem lixo. Um aterro nada mais é do que o mesmo solo que dá comida, areia de praia não é lixeira só porque já tem um saquinho de sorvete lá, bituca de cigarro não some de um dia pro outro se você jogar na rua. Quer consumir? Consuma, a sociedade criou isso tudo pra você aproveitar o que quiser, mas cuide, a evolução também foi legal o bastante pra te dar a capacidade de raciocínio.
Entendam: O seu lixo é você.

Chega a ser caótico ver uma coisa como essa tartaruga sofrendo pelo descuidado do grande ser superior dono do mundo. E eu aproveito pra mostrar outra coisa. Ela está chorando. E eu chorei com ela. Mas ao mesmo tempo, não dá pra negar, eu explodi de paixão, por todas as pessoas que estavam com ela, pela vontade de trabalhar com e pelos animais, por querer cuidar deles, mesmo que acabe chorando e sangrando junto, e por querer mostrar à quem quiser ver que o que fazemos importa sim – e temos o tempo todo a chance de fazer importar de forma positiva.

Não consegui piscar durante o vídeo. Não consigo mais fechar os olhos pra essas coisas.

E hoje vai ser assim, sem revisão, sem planejamentos, sem muita coesão, sem demoras. Hoje é urgente – hoje eu parei de usar canudos. Hoje é um pedido de desculpas ao resto do mundo.

Desculpa.

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4 comentários sobre “Este não é um post bonito

  1. Olha Nanda, você disse tudo, de maneira clara e quase desenhada pro povo que insiste em não querer ver… “Seu lixo é você”. Isso bateu tão fundo em mim que vou re-rever meus hábitos! Não vi o vídeo pq sou muito sensível e impressionável, mas tb vou parar de usar canudos e também quero pedir desculpas ao mundo: Sorry, Universe. De coração, obrigada pelo texto! 🙂

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  2. eu já li esse post duas vezes.. tô numa semana sensível então da primeira vez nem comentei, mas vamos lá.. concordo com tudo que vc disse. Não assisti o vídeo da tartaruga, dessa vez não consegui apertar o play.
    Essa questão do lixo é uma coisa tão séria, e a maioria não liga. Observo a quantidade de papel que as pessoas usam para secar as mãos (três folhas de uma vez) ou a gastação de água com idiotices, dá um desespero. E os reflexos disso tudo estão aí pra quem quiser ver, mas ninguém olha. Tô tentando cortar plástico da minha vida e escuto muito “mas nossa que besteira”. É bem deprimente.
    A gente faz o que pode né…

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