Dom Quixote – Miguel de Cervantes

Comprovando que Agosto é maravilhoso, no dia 1º, antes das primeiras 9 horas do completas do mês, eu acordo com encomenda chegando pra mim.

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Depois de ter ido ver o musical O homem de la Mancha e chorado rios, minha meta de vida passou a ser ler a história de Dom Quixote. Parece muito simples, né, vai lá e lê, oras. Mas não, não é fácil assim. É preciso decidir qual edição, qual tradução, qual estação do ano, é a melhor, e namorei a edição da Companhia das Letras por um tempo até que a Submarino, idolatrada pelos leitores de alma profunda mas bolso raso, resolveu meu problema pra mim dando um empurrãozinho durante a black night, que foi quando eu comprei essa edição maravilhosa pela bagatela de R$48.

As ilustrações são lindas sim, toda a qualidade do papel e formatação do texto (apesar de muitas notas, várias introduções e comentários, muitos rodapés, muitos trechos da versão original que estão lá como curiosidade) é lindo sim. Apesar da história de fato começar só na página 60, da capa não ter orelha – o que me incomoda muito-, é um conforto sem fim ler as aventuras do cavaleiro andante – talvez seja porque o tradutor foi bem maneiro com a galera e deu um jeito no espanhol arcaico do texto original.

Mas o que acontece com o engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha? Acontece que ele “nasceu” em 1605, ou seja, tempo pra cara—mba, e até hoje é conhecido por todos, até hoje são lembradas suas aventuras e o nome de seu escudeiro. Sua história é uma paródia dos livros de cavalaria que já estavam saindo do seu auge. Aparentemente, os livros de ficção na época não deveriam ser muito queridos, ou foi simplesmente por capricho de Miguel que conta a história como se tivesse de fato acontecido, citando outros autores e contadores das aventuras do cavaleiro.
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Para contextualização, Dom Quixote (que não se chamava Dom Quixote na verdade) era um fidalgo já de certa idade, que de tanto ler livros de cavalaria, queima os miolos e acha que é ele mesmo cavaleiro. Na cabeça dele tudo é nobre, aventura, belas donzelas em perigo e inimigos malignos. Então ele sai por aí com a missão de trazer a justiça aos fracos e oprimidos. Chapeleiro Maluco que me perdoe, mas Dom Quixote é o pinél mais querido da história da literatura.

Ainda não cheguei na página 300 do livro, mas como cada paragrafo é um desespero de amor, tive que depositar um pouco aqui pra não explodir, e existem elementos interessantíssimos na história do querido manchego. Ele fala a todos o que vê com tanta convicção, e debate com qualquer um que o contraria com tanta certeza, que nos resta acreditar na nobreza e no conhecimento dele, nos faz aceitar outras realidades que podem ser absurdas, mas ainda assim, são muito mais emocionantes do que o cotidiano pacato do resto do mundo. E quem vai dizer que é ele que está errado então?

Esperem novos comentários, porque esta obra é muito pra um só post.

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