Eu ❤ Pseudociência

Nos últimos dias o tema foi tão persistente que se fez necessário comentar, por questão de organização mental.

Das coisas inventadas pelo homem, eu confesso que a ciência é uma das mais incríveis, em seus dois possíveis significados.

Que ela é maravilhosa eu não discordo, mas foi-se o tempo em que eu acreditava que toda a verdade deveria ser encontrada dentro de um laboratório, e que tudo que se afirma verdadeiro sem seguir as regras da experimentação cientifica era perda de tempo.

Mas que não me falte nunca (mais) a capacidade de recorrer à filosofia, que como uma boa mãe, coloca sempre em teste suas filhas, e avisa que elas vão cair e se machucar, mas mesmo assim deixa as crianças subirem nas grades da janela, e apenas espera o tombo. Pra poder dizer que avisou. E porque é com calos que se aprende o conceito de cura.

Não vou descartar (longe de mim a hipocrisia) a alternativa de haver um ser superior criador do universo e das regras sociais, mas tenho minhas criticas à igreja formadas o suficiente pra não me permitirem escrever o nome da casa e o nome do proprietário com letras maiúsculas, nem de destacar como mais sincera e nobre a fé cristã (porque, de novo, longe de mim a hipocrisia). Me convém muito mais, entretanto, considerar outras formas de energia diferentes da que aprendemos na escola. O karma, a aura, a reencarnação, a alma, os chakras, vodum, destino, ka, astrologia. E não que eu tenha certeza absoluta que existe mais do que podemos ver e colocar num gráfico, ou que eu tenha medo de assumir que estamos largados num canto do Universo com uma mão na frente outra atrás. É mais por desacreditar na percepção humana, por dedução lógica mesmo. Quase como uma anti-ciência, que se usa dela para desconstruí-la.

Vamos pelo caminho da história da formiguinha que viveu a vida toda no deserto e não acredita que exista um oceano: Consideremos que vemos o máximo que nossos olhos permitem, e interpretamos o que vemos de acordo com tudo o que já conhecemos. Do que somos e conhecemos, tudo, e repito com toda a convicção, tudo! o é porque nós fizemos. Podemos ler porque criamos a escrita e cada letra que existe, e criamos a linguagem, e desenvolvemos a sociedade e as escolas e os livros que fazem com que todos os outros aprendam o que um dia surgiu de dentro do homem. Meus gatos só estão hoje deitados na minha cama porque partiu do ser humano domesticar outros animais e inventar o colchão. Os dinossauros, que estiveram aqui antes mesmo do primeiro Australopithecus, não fogem dessa regra, porque se hoje sabemos o que é o conceito de dinossauro, meteoro e extinção, é porque um dia, algum grupo de seres com capacidade de raciocínio lógico encontrou ossos enterrados e inferiu, diante todo o conhecimento que tinham antes de anatomia, geologia, tempo e decomposição, que aquilo talvez um dia tenha sido um ser mais ou menos diferente e enorme.

E se os dinossauros nunca foram parecido com o que desenhamos? E se eles nunca existiram de fato e o que encontraram era só pedra com um formato muito conveniente colocado na terra por algum duende só pra ver nossas caras de perplexidade? E se o tempo, na verdade não passa, afinal de contas tempo também é um conceito criado por nós pra explicar a sensação que temos de que as coisas acontecem em uma ordem imaterial determinada, que interfere nas mudanças físicas do que somos capazes de ver?

Se sabemos algumas limitações dos sentidos e conhecimentos humanos, pense agora nas limitações que não sabemos. É coisa de ser humano esse negocio de querer entender tudo, de perguntar os por quês, e respondemos nós mesmos a essas perguntas, cada um com o seu Abstrato, seja deus, a aura ou a matemática. Se de nenhum deles eu entendo, se nenhum deles eu vejo, se nenhum deles me prova, de acreditar com o coração, que alguma coisa é o que é, por que vou desmentir um e pregar a palavra de outro? A ciência não me prova mais do que a astrologia, porque não existia dois nem quatro antes da matemática. A ciência me prova sim, a capacidade humana de seguir um padrão de reconhecimento do nosso ambiente, desenvolvido e doutrinado, a todo momento por nós, enquanto a astrologia me prova, com toda sua ausência de padrões, que a verdade cientifica não é soberana, nem única, e que conhecermos o interior é tão complexo, necessário e perigoso do que conhecer o resto.

Como acreditar que não há vida fora do planeta Terra, se não sabemos definir nem a vida aqui dentro? Procuramos formas de vida como as que conhecemos aqui, mas e se existem outras formas? E se as outras formas de vida estão tentando se comunicar conosco em outra frequência de som, ou em qualquer outra coisa que eles usam pra se comunicar, que seja tão diferente da que nosso corpo limitado é capaz de sentir? E se eles estão agora tentando mandar um alô pro futuro e nós apenas não chegamos lá ainda?

Soa tão audacioso usar a palavra “verdade”, pelo significado que definimos pra ela, pra uma ou outra crença, porque se um livro escrito por pessoas pode contar o que pensava o maior acumulo de energia criador, como não acreditar que as regras postas por estudiosos para afirmar o que pode ou não ser considerado certo sem ser julgado como ignorante não é também tão correto? E se um é capaz de acreditar com o coração em equações, montadas e calculadas por uma ou duas pessoas, que descrever a posição dos astros, como não acreditar também com o coração, que esses astros definem perfeitamente quem você é, o que você será e o que você quer? Porque acreditar no gato de Schrödinger pra mim é tão plausível quanto acreditar em vidas passadas.

E em conclusão, porque todo esse pensamento tem me levado à um lugar, a importância da verdade cientifica é diferente mas não menor da verdade das pseudociências, crenças e afins, porque se uma nos faz entender o mundo em que vivemos e o corpo que somos, a outra nos conecta à eles, e nos permite experienciá-los – que se oponham, se contradigam e se odeiem, mas a experiência é a base das duas. Se me perguntarem, não acredito que o meu mapa astral me define mais do que o meu mapa genético, nem que eu seja apenas um ou outro. Não me entendo mais como um corpo ou como uma consciência porque sou inteiramente os dois, assim como passei a acreditar que o que está fora de mim também é os dois. Ou o que está fora de mim o é porque eu me sou. Ou é o que eu sou. Ou eu sou o que o mundo é. Mas por ora me parece coerente parar o pensamento em “Eu sou o que eu não sou” porque isso nos leva à muitas outras coisas que virão.

Namastê.

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6 comentários sobre “Eu ❤ Pseudociência

  1. “Como acreditar que não há vida fora do planeta Terra, se não sabemos definir nem a vida aqui dentro?” Bem isso mesmo! Me identifiquei demais com o texto, menina!
    São tantos questionamentos, né? As vezes fico aflita, começo a pensar numas coisas assim e tenho um ataque de nervos porque simplesmente não temos respostas pra certas questões. Tudo foi, é e, acho, continuará sendo um grande mistério pra nós. Mas acho que a graça tá bem aí, no mistério. É o que nos move, pelo menos é o que eu acho.
    :*

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  2. Deste um nó no meu cérebro : I ❤ you!
    Minha única conclusão por enquanto é que não gosto de instituições e que, como vc bem diz, não há problemas em não saber tudo, entender tudo, e não precisamos nos ater a seguir uma só escola. Graças à deusa ainda temos muito o que questionar, senão tooooooodo esse resto de vida que temos pela frente seria bem monótono.
    Em tempos, dei Ctrl C + Ctrl V pra reler isso com mais calma e pensar mais à respeito porque mereceu!

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