The boy who lived (ou sobre reviveres)

Este é um post para se ler ao som de Hedwig’s Theme

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Das coisas de infância de a gente lembra com carinho, uma, certamente clara, é a do momento que abri o primeiro livro da série Harry Potter, numa época em que nem o 4º livro existia ainda, li a primeira frase e parei. Eu estava no meu quarto e tive que descer as escadas, ir até a cozinha e perguntar pra minha mãe, “Mãe, porque aqui tá agradecendo que o Senhor e a Senhora Dursley gostavam de ser normais?”. A primeira coisa que eu aprendi com Harry Potter (que na verdade a mãe que explicou) é que “muito bem, obrigada” é só um jeito de falar e que eu não devia me preocupar com isso e continuar lendo. Eu continuei. E não preciso nem dizer que a partir daquele momento eu fui, sou e sempre serei, uma Potterhead.

Algumas obras passam a fazer tanto parte de você e a gente mal sabe, mas Harry Potter tem pra mim, e tem pra muita gente (um beijo no coração de todos vocês que entendem), uma grande parcela de influencia sobre o que sou. Tantas crianças que aprenderam a gostar de ler, e tantas pessoas que se identificaram com tantos personagens de alguma forma, e tanta gente que aprendeu a encontrar a luz na escuridão e se inspirou em algum momento, e tantos outros se encontraram em um mundo que ninguém te perguntou se é verdadeiro ou não porque não importa, Hogwarts vai ser sempre o melhor lugar do mundo. E não importa onde você esteja, enquanto tiver alguém que gosta tanto quanto você da história (e não é difícil encontrar) você terá um amigo.

Os filmes eu sei de cor, mas precisava ler de novo os livros. É que não seria a mesma coisa, reviver uma história que já se sabe o final, conhecer de novo personagens que já viu morrer, entender metáforas e situações que antes você ignorou e que talvez mude muito a forma de você perceber a história. E se não for tão mágico assim? Eis que depois de, o que?, 10 anos, muita enrolação, e vários tweets lindos da tia Jo, chegou o dia em que nada parecia mais certo do que abrir o livro pela segunda vez e voltar aos meus 9 anos de idade. E já estou rindo a cada frase igual uma garotinha rica contando suas bonecas. Em outro tipo de livro, em outro idioma, em outra eu, é diferente mas é igualzinho.

Pois então esperem por muitos posts meio-mágicos-meio-trouxas, surgindo entre um capítulo e outro se eu conseguir largar um pouco o livro, muito bem, obrigada.

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The Glad Man Singing

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Era algum dia aleatório de 2010 talvez, quando eu ouvi Iron & Wine pela primeira vez, no tumblr (claro!). Foi a Margarida, uma portuguesa fofa, que me comunicou a existência dele. Obrigada, Margarida, esteja onde estiver.

Era um dia aleatório de julho de 2015, quando uma imagem me abraçou, dizendo que o Sam Beam ia vir pra São Paulo tocar umas musiquinhas bacanas pra galera. Aquele foi um dia diferente. Eu não precisei e nem tentei pensar antes de clicar no link pra comprar o ingresso. Olha que se tivesse sido uns meses atrás, eu teria apenas chorado por não ter condi$$ões. Obrigada a quem fez ele vir na época certa.

Eu não sou entendedora de música, não faço ideia do que é qualidade musical pra quem é entendedor de música. Pra mim música boa é musica que tá presente de alguma forma, e meujesusinho, como estas estiveram. Eu tive que aprender a dormir de fone de ouvido sem me matar enforcada porque a voz do Sam é a melhor canção de ninar. E eu não sei como isso não é de conhecimento geral da nação, eu só sei que das pessoas que eu conheço que conhecem ele, me acompanharam um total de 0 (zero). Olha que se tivesse sido umas eu atrás, eu teria apenas reclamado sozinha em casa durante o show todo por não ter tido companhia. Eu quase o fiz, na verdade, e essa talvez seja a questão de estarmos aqui contando essa historia toda. Eu quase voltei pra casa, sem ver as barbas do rei, porque eu estava cansada, porque eu estava com frio, porque ia ficar tarde, porque eu estava sozinha. Mas se tem alguém que sabe como eu sou chata, esse alguém sou eu, e poucas coisas me deixam mais chata do que auto-frustração. O tanto de coisa que eu já deixei de fazer porque não gosto de estar sozinha dá pra encher uma caçamba. E sabe o que eu acho? Que isso tá é muito errado. Que eu tô é na hora de aprender a ir lá e fazer as coisa, oxi. Que só eu sei como seria maravilhoso ver pessoalmente alguém que me deu minutinhos selecionados de alegria toda vez que eu precisava de um cobertor de coração. Eu só percebi agora, nesse exato momento, que essas músicas fazem eu amar a vida, mesmo se eu estou sozinha ou qualquer outra coisa que eu não goste de estar. Vai ver foi isso, porque, do jeitinho que a gente faz uma coisa por obrigação, eu fui. E agora o tanto de coisa que eu me orgulho de ter feito por mim mesma, da pra encher uma taça de vinho. Obrigada a mim mesma, pela teimosia.

Entendam da forma mais poética possível a frase disléxica e redundante a seguir: Só quando eu cheguei, eu realmente estava lá. Não tem como reformular isso. Estar lá fez sentido, porque mais uma vez, era daquilo que eu precisava. Do que me faz querer a vida dura e embriagante, do que me emociona de estar aqui. Daquele carinho que eu pude constatar ser inteiro: voz, violão e sorriso. De saber que o amor é uma coisa que merece ser vivido e cantando, e que ás vezes ele acaba, acontece, não tem problema, é a vida. De aprender a ver as poesias e histórias das coisas que parecem simples aqui embaixo, porque tudo é perfeito visto de longe, lá de cima, e que descer é bobeira.

Pela palheta, pelo “I love you too”, pelo prazer e por Such Great Heights, thank you.

“It was for you.”

Divertida mente (e a utilidade das histórias infantis)

Da lista de 101 coisas pra fazer, uma que já está fadada a não ser riscada é ir ao cinema 10x em um ano. Não sei bem quando ir ao cinema deixou de ser um entretenimento e passou a ser um evento tão luxuoso quanto a premiação do Oscar, mas consigo fazer uma lista de tantas coisas que podemos fazer com o equivalente ao investimento.
Passados desabafos, assisti Divertida mente e posso dizer que valeu o preço, apesar da reclamação ainda ser válida porque não importa.

Eu sou, abertamente, uma amante de histórias para criança. Na verdade eu acho que quem descarta uma história infantil é um bunda mole, porque todas elas jogam lições de vida na sua cara e ninguém é velho demais pra aprender a viver – só pra conseguir perceber as tais lições. Existe uma simplicidade complexa no mundo quando você ainda não viveu o suficiente pra aceitar alguns moldes e leis da vida, e não faz mal nenhum tentar esquecer eles de vez em quando. E como, de forma generalizada, o que achamos enormes obstáculos são apenas probleminhas que se repetem e mudam de situação, às vezes a unica coisa que precisamos é de uma ingênua metáfora colorida.

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A Pixar sabe explicar a vida com maestria. Fizeram marmanjos chorar com a definição de amizade de Toy Story e deixaram claro que você estava certo quando achava que seus brinquedos tinham vida mas não queriam que você soubesse disso. Depois aprendemos que velhos ranzinzas podem amar sim, mas você nunca sabe pelo que eles passaram, e nem ate onde você pode ir quando querem demolir a sua casa. E pra quem acha que distopia não é coisa pra criança e que não pode falar do fim do mundo, fizeram Wall-e.

Eles devem ter um departamento de estudo-de-coisas-que-acontecem-quando-ninguém-está-olhando que responde todas as perguntas do Universo. Se você sempre quis saber, por exemplo, como funciona a cabeça de uma pessoa e porque lembramos de umas coisas e outras não, você tem a sua resposta porque dessa vez eles conseguiram materializar aquela ideia que toda criança tem de que sua mente é controlada por serezinhos, explicar a complexidade da mente e a importância das merda que acontece na vida. Tudo num roteiro impecável, que te faz ficar semanas pensando no que, afinal, te fez ser o que você é? Quais momentos e memórias e sentimentos definiram a sua personalidade? Quais são suas ilhas, quem tem mais controle dos botõezinhos da sua cabeça, onde foi parar Bing Bong, meujesusinho?

Pois bem, se aceitarem uma dica, aprendam a viver com histórias infantis durante a da vida toda. No mais, estou aqui esperando a Tristeza ser arrastada pra pegar o Oscar de melhor amorzinho do mundo.

Aí eu fui lá e me formei

IMG_20150325_233142064Toma essa informação delicadamente na sua face

Faz tempo já, na verdade. Os fofos que seguem nos facebooks, instagrams e twitters da vida já sabiam. Eu achei que a primeira coisa que eu ia querer fazer seria postar fotos, textão, compilação de gifs no imgur, etc, mas quer saber? A primeira coisa que eu quis fazer foi pegar o meu diploma, o meu raio sustentabilizador e sair por aí atirando em todos os carros e chaminés e aterros do Brasil. Talvez tenha sido a emoção do momento, mas a minha carteirinha de agente salvadora do planeta serve pra quê senão sair por aí e salvar o planeta?
Infelizmente eu não tenho um raio, mas o imgur taí, então…

Se formar é de boinha, galerinha

Quando eu digo que me formei, o que eu estou dizendo é que a vida me passou de nível, de estudante para desempregada. Sabe qual foi a primeira coisa que eu aprendi quando me formei? Que pra você fazer alguma coisa em troca de dinheiro, ultimamente, um diploma de graduação é a ultima coisa que você precisa. Primeiro você precisa é de experiência. Muita experiência. E não adianta pensar “Ok, vou fazer qualquer coisa por enquanto pra me sustentar enquanto não acho algo na minha área”, porque pra ser recepcionista você precisa de experiência, pra ser atendente de loja você precisa de experiência, pra ser caixa de supermercado é só com experiência. E eu tenho experiência em receber emails de “seu curriculo não foi selecionado” mas curriculo não selecionado não sustenta ninguém. A segunda coisa que você precisa pra ter um salário é uma pós graduação. E o emprego um vai te pedir um diploma em engenharia de parafusos de plástico sustentável com acesso à internet. O emprego dois vai pedir um diploma em gestor do lado oeste do Oceano Pacífico durante o inverno no Saara. O terceiro é mais fácil, um mestrado em meteorologia da lua já pode ser o suficiente para você conseguir um emprego em assistente de supervisor do almoxarifado da fábrica de papel. Ou talvez eu só tenha escolhido um curso pouco incompreendido.

Reciclar é legal, pessoal

Mas isso aqui era pra ser um post legal, motivacional, inspirador (mentira, era só pra que vocês se orgulhassem de mim mesmo). Acontece que essa não é a vida. Eu poderia ter conseguido experiência durante a graduação, poderia. Fui capaz? nááá. E dói quando chegamos no último ano, no último dia, no último bandejão, percebemos que não aproveitamos quase nada do que a faculdade pode nos oferecer. Você pode estagiar, pode fazer iniciação científica, pode participar do centro acadêmico e ainda assim não vai ser o suficiente (não que eu tenha feito alguma dessas coisas). Isso porque a faculdade é um poço de oportunidade, e você nunca vai saber pra que lado ir. Você não vai aguentar mais depois da primeira semana de prova, mas depois de cinco anos de sofrimento vai acordar e pensar que faz só uma semana desde que você se matriculou.

88. Tirar pelo menos 8 no TCC

No fim você percebe que a maior besteira era achar que seus amigos da faculdade seriam as pessoas mais maduras e cultas já vistas, que os professores que você mais detestava ás vezes falavam as coisas mais inspiradoras, que jantar por R$1,90 era um ótimo negócio, que bateria de samba é uma coisa linda, e que você superou todos os finais de semestre e todas as vezes que você quis desistir dessa porcaria toda. E que existem vários outros cursos por aí, então bora prestar vestibular de novo, sim!

E que a natureza é linda, salvem a natureza

Boyhood

O que eu tenho pra falar sobre Boyhood é: Se você ainda não viu, corre lá ver e volta depois, porque o filme é lindo e já deve estar saindo de cartaz.

Boyhood é um filme sobre crescer, e talvez por isso seja tão fácil de gostar. Todo mundo sabe como é, todo mundo passa por isso, todo mundo imagina como como o personagem se sente. Mas o incrível mesmo é que o filme levou 12 (doze!) anos para ser gravado. Isso porque o Richard Linklater, escritor, diretor E produtor do filme, quis que os personagens fossem interpretados pelos mesmos atores, então ele simplesmente deixou o tempo passar.

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A história acompanha a vida de Mason dos 5 aos 18 anos, e se você tem lá seus 20 anos, eu diria que acompanha a sua também. O filme algumas vezes parece um documentário sobre a vida dos atores, e enquanto assistia tentava descobrir o que era produzido pro filme e o quanto o diretor só tinha deixado do jeito que era mesmo.

Li várias críticas de quem não gostou do filme porque a história dos personagens é comum, porque o filme tem quase 3h de duração, porque não há um ponto especial de conflitos que vai fazer você perceber como deve viver a sua vida de forma diferente e que vai abrir seus olhos pra tudo de bom e ruim que existe no mundo, etc. Sinceramente? Parem com isso. As pessoas ficaram tão acostumadas a ir ao cinema pra ver explosões, histórias incríveis, personagens com mentes que transcendem a inteligencia humana e produções hollywoodianas com efeitos especiais que custaram milhões só pra ser bonitos, que deixaram de apreciar as histórias simples. Porque a vida de uma pessoa comum não merece 3h de descanso para ser assistida, ou não vale o preço de um ingresso de cinema?

Por outro lado, quem gostou (entendeu) diz que Boyhood é um marco na história do cinema. Eu não discordo. Provavelmente não saberei explicar o quanto isso é genial, e como a chance de dar errado era grande. Pense em tudo o que pode acontecer em doze anos, e tudo o que aconteceu com você e como você mudou nos últimos 12 anos. Pois é!

Interestelar

Será que eu sei fazer resenha de filme, gente? Obvio que não, mas não importa. Porque ontem eu assisti Interestelar e saí do cinema com dor de cabeça (por causa do som ou do esforço mental, não sei).

A história só acontece porque a humanidade chegou naquele ponto. Aquele ponto em que acabou tudo que não é sujeira e doença. A solução obviamente é ir pra outro planeta. Acho essa coisa engraçada, e vou pedir licença pra sair do foco da coisa toda. Essa mania de procurar planetas habitáveis me dá coceiras. É realmente mais fácil ou é só uma ideia maravilhosa que a mente humana consiga criar máquinas tão incrivelmente avançadas tecnologicamente que sejam capazes de nos levar pra qualquer outro ponto do universo, mas não consiga criar nada capaz de controlar a qualidade do solo e do ar, pra que não seja necessário fazer uma caravana pra Marte? Sabemos exatamente qual tipo de material não vai explodir fora da nossa atmosfera, mas não sabemos qual acaba com a praga que apareceu na fazenda?

Eu sei que é muito mais emocionante e bonito viajar pelos buracos da imensidão lá fora do que adubar terra, mas vamos lá, cientistas, vamos lá. Aparentemente a espécie humana gosta de soluções complicadas e caras para problemas simples. E todo mundo dar as mãos e entrar num acordo? Nunca, jamais.

Isso porque eu nem discuto se a humanidade vai chegar nesse ponto de destruição (vai).

Mas, obviamente, o filme não é sobre uma humanidade se extinguindo. É sobre buraco negro, dimensões extras, viagem no tempo e efeito especial. E confesso que até a parte humana-romance-clichê sai um pouco do comum (aqui é a hora de parar pra não dar spoiler).

Se você ainda não conseguiu seu diploma em física, faça como eu e vá acompanhada de algum nerd pra traduzir alguns pontos; se você quer ver só pela brisa da viagem no espaço, escolha um cinema 3D; mas se nada disso te agrada, duas horas de Anne Hathaway valerão o ingresso. Vale lembrar que a chance de sair do cinema com o coração partido por perceber o seu tamanho em relação às estrelas é grande.

Sim, eu gostei do filme. Sim, tem furos científicos. Não, eu não sei explicar quais são e porquê. Ainda.

{101 in 1001} 23. Curtir o show de uma banda que eu não conheço

Oi, então, eu confesso que já estou aqui meio forçada porque eu não gosto muito da ideia de usar o blog como diário e porque já faz quase um mês que não escrevo, e toda vez que entro aqui canto mentalmente “não deixe o blog morrer, não deixe o blog acabar”. Mas, como, além disso, houve a promessa de que tentaria registrar os pequenos desafios que me fiz na pequena lista de 101 coisas pra se fazer em 1001 dias, eu vim, afinal a felicidade tem que ser compartilhada e etc.

Na verdade eu só acho que é bom escrever porque tenho neura de que vou esquecer todas as coisas legais que vivi. Enfim.

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Esse final de semana teve show do Arctic Monkeys em São Paulo, e The Hives foi quem abriu. Alex Turner que me perdoe, mas Pelle Almqvist é o novo rei. O cara chegou já louco e frenético e louco e lindo, que logo tava eu lá, fingindo que sabia cantar pelo menos o refrão da música mais conhecida deles. A banda tem a minha idade e eu fui conhecer eles agora, porque abriram show. Uma pena, uma sorte.