Não vai ter post

Hoje não vai ter post.

Apesar de fazer dias que não marco um xis no item “escrever no blog”da agenda e isso me incomodar toda vez que olho. Hoje eu vou aceitar e engolir a falta de criatividade como quem toma um xarope ruim de um só vez e faz careta pra espantar o gosto.

Apesar dele piscar na minha cara, nas redes sociais, na televisão, não é hoje que eu vou escrever a minha opinião sobre o golpe vestido de impeachment que está acontecendo no país e o mundo inteiro passou dando uma olhada, como quem passa virando o pescoço pra ver o pai batendo na criança no meio do mercado porque ele não consegue só explicar pro filho que não vai comprar o doce porque não tem dinheiro, enquanto a gente é a criança que só quer comer o seu docinho de direito mas nunca vai ser mais forte do que o pai (que tem dinheiro sim, mas vai gastar com outra tranqueira qualquer que a gente nem quer, tipo uísque).

Apesar das ilegalidades que eu vejo e das que eu presumo, e das que eu nem imagino, não é hoje que eu vou fazer um texto sobre o subemprego que eu tenho, que me exige nada além de abrir mão dos meus ideais, dos meus interesses, do meu intelecto, e que inibe a pro-atividade, que desvaloriza a minha formação, que ignora qualquer capacidade que eu tenha.

Hoje eu não tô afim. Nem de desabafar, nem de pedir alguma coisa, nem de entender, nem de lutar. Hoje eu tô cansada.

É por isso que hoje não vai ter post.

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50 questions #9 e um buquê de rosas

9. Em que nível você tem, de fato, controlado a sua vida?
Esse post está pronto na minha cabeça há algum tempo, e uma força sobrenatural o prendeu até o dia de hoje, o Dia Oficial do Textão. E pra homenagear todas as cabeças pensantes, estamos de volta com mais uma resposta filosófica, esclarecendo como a vida funciona.

Por algum tempo, que equivale a praticamente minha vida toda, eu tinha na mente que quem cuida da minha vida sou eu. Que estamos aqui apenas uma vez, então devemos fazer o que temos vontade, do jeito que queremos e tudo mais.

Recentemente eu aprendi que não é bem assim, porque eu percebi que nasci mulher. É claro que nascer mulher não é problema nenhum-muito-pelo-contrário. Acontece que eu nasci mulher num mundo de homens, e isso significa que eu não posso fazer uma lista considerável de coisas que eu gostaria, tipo me sentir segura.

Eu nasci menina num mundo em que mulheres não podem viajar sem a companhia de um ser superior-homem, e que são estupradas, e que são mortas, e que são submissas, e que são assediadas diariamente. Eu nasci escancarada num mundo em que meninas têm que sentar de perninha fechada, e nasci com calor num mundo em que menina tem que usar roupa comprida pra não chamar atenção na rua, e nasci dondoca num mundo onde as meninas têm que arrumar a casa e a comida e as roupas do marido. Eu nasci nervosinha demais em um mundo onde as mulheres têm que ficar quietas, e sem um pingo de paciência num mundo em que garotas devem sorrir e rir das piadas dos rapazes pra que eles se sintam no controle da situação.

Eu nasci num mundo em que se uma mulher é independente ela é chamada primeiro de bruxa e daí é queimada, depois de rebelde e daí é presa, depois de louca e daí é internada, depois de feminista e daí é espancada. Eu nasci escandalosa em um mundo onde, se eu quiser alguma coisa, eu vou precisar fazer um escândalo, e se eu não preciso fazer é porque alguma outra louca já fez por mim.

Eu nasci num mundo onde chamam o maior grupo de minoria, e a “maioria” que tem tantos pré-requisitos pra se existir, é capaz de controlar a minha vida em, talvez, todos os seus aspectos.

E por mais feio que seja, poderia ser pior. Eu poderia ter nascido extremamente pobre num mundo de ricos, eu poderia ter nascido negra num mundo de brancos, eu poderia ter nascido gay num mundo de héteros, ou trans num mundo cis, e tudo seria muito mais difícil do que já é.

Mas dói mesmo assim, porque eu nasci empática num mundo de ignorâncias e egoísmos.

vê aqui que ideia gostosa

a sinestesia é a capacidade de perceber diversos sentidos de forma fundida. o sinestésico é capaz de sentir gosto de cores, ou o cheiro de sons, ou a textura de imagens. essa condição que, aparentemente, é uma mutação genética, acontece porque os neurônios se hiperconectam ou algo do tipo, não sei exatamente.

o dois é amarelo, sabe? isso não é voluntário. todo dois vai ser amarelo, independentemente de onde ele estiver ou o que mais seguir ele. o zero, que não é nada a não ser que esteja acompanhado, logica e justamente é furta-cor, sendo o 300 um degradê de azul, o 70 laranja, assim como o 7 sozinho, e o 42950 um belo arco-íris.

eu não preciso me esforçar pra escrever isso, nem estou sob efeito de drogas, número são coloridos e fim, isso é óbvio. assim como algumas fotos de infância são quentinhas e macias tanto quanto um bolinho de chuva. algumas músicas tem a lembrança de uma casinha branca com muro de madeira e plantas no quintal, de um dia que eu nunca vivi, mas que estava usando um vestido azul claro esvoaçante, porque mesmo que estivesse calor, ventava, como se já já fosse chover, o que seria ideal pra ficar dentro de casa lendo um livro.

seguindo o fluxo dessa ideia maluca da mesma forma que o youtube relaciona videos que mais ou menos tem ligação, a individualidade das percepções de mundo virou uma pauta muito recente nas minhas reflexões diárias. indo além do insight de que algumas pessoas enxergam sons, outras ouvem sabores, e pode ter alguém que seja tocado por um cheiro, sacamos que ninguém percebe o mundo do mesmo jeito. já passamos, provavelmente, pela ideia de que o vermelho que eu vejo não é o mesmo vermelho que você vê, porque as cores só existem dentro da nossa cabeça, então será que é possível explicar pra um daltônico a diferença entre azul e verde?

ou será que é possível um cego realmente entender o que é o racismo se ele nunca viu tons de pele? será que um surdo sente a mesma angústia quando o desenho que ele está assistindo é interrompido pelo Plantão da Globo se ele não ouve aquela musiquinha horrível, ou medo quando um trovão acontece muito perto? e no fim, quando foi que começamos a considerar normal ou aceitável tratar essas condições como deficiência?

outro dia acabou a luz na rua e deve ter sido o maior intervalo de tempo em que eu não enxergava absolutamente nada e eu achei engraçado o fato de algumas pessoas terem se incomodado quando resolvi pintar meu cabelo de rosa, e acho que nesse momento eu percebi como perdemos tanto tempo tendo dó de pessoas pelas limitações físicas delas porque achamos que nós somos perfeitamente desenvolvidos, e que a forma como percebemos o mundo é mais certa, sendo que… não tem certo.

sério, gente, se conseguíssemos ver o mundo do lado de fora do corpo de um humano, nada disso ia ser igual, teríamos só um monte de molécula se debatendo, sem cor, sem cheiro, sem som, sem sabor.

e somos tão apegados à nossa forma de entender as coisas só porque ela mais comum, que ensinamos fórmulas pra acharmos a velocidade com que um corpo cai de um prédio antes de ensinarmos pras pessoas os sinais básicos de comunicação com surdos, ou a escrever em braile, ou como ajudar o amigo autista quando ele fica muito mal com alguma coisa.

e as pessoas ainda me perguntam por que eu to aprendendo libras.

Um brinde

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Outra coisa maravilhosa que chegou na minha vida durante o mês de reis e rainhas foi o tal do coletor menstrual. Você já deve ter visto alguma coisa sobre isso em algum lugar: É um copinho de silicone que você coloca dentro do canal vaginal e ele… coleta a menstruação! Ai, que complexo.

Se alguém quer saber, eu diria que o copinho muda vidas. A ideia é daquelas que você procura, cavuca, revira, e não encontra um ponto negativo. Não tem!
Primeiro que ele funciona de uma forma muito simples e óbvia, e pra quem não sabe muito bem como funciona aqui vai um pequeno tutorial bem básico (pelamordadeusa pesquisem quaisquer dúvidas que vocês tenham antes de tentar usar, pode perguntar pra mim, procurar no google, no grupo do facebook, no youtube, mas num vai enfiando o negócio assim antes de saber tudo o que precisa saber): O coletor é de silicone e, portanto, bem maleável. Você dobra ele pra ficar menorzinho, e o introduz tal qual um absorvente interno. Quando estiver bem posicionado, ele se abre, ficando de novo no formato de copinho e coletando a menstruação (que percebemos ser um pouco diferente do que a gente imagina, principalmente nos quesitos quantidade e cheiro). Pode ficar com ele direto por até 12h, e precisa tomar cuidado pra não esquecer que está usando, já que você nem sente ele dentro do corpo. Na hora de esvaziar, você tira, joga uma aguinha e coloca de novo. Antes e depois de todos os ciclos é preciso esterilizar o bonitinho, pra evitar qualquer bactéria, o que da pra ser feito numa panelinha de ágata que você vai usar só pra isso.
Segundo que com ele, você não vai mais gerar uma tonelada de lixo por mês com absorventes descartáveis, e gente, pensa no quanto cada mulher produz de lixo com essas birosca!, sem falar que vai saber o que tem de químico – mas a gente sabe que tem – nele. Consideremos a economia também. Apesar do coletor ser mais caro que um pacote de absorvente, ele dura até uns 10 anos, e 10 anos sem comprar absorvente descartável é uma bela graninha;
Terceiro porque é limpo, e você não é obrigada a ficar com seu sangue coletado em contato com o seu corpo o dia todo como acontece com os absorventes externos, nem tem perigo de vazar (sem você coloca direito, prestenção!) igual o interno;
Mas principalmente, pelo que ele faz com a sua aceitação. Por causa dele, eu tenho falado bastante de sangue, logo eu que nunca gostei dele. Logo nós. Estou aprendendo que não tem nada de errado com ele, ou comigo. Tenho conversado com pessoas que eu conheço e que eu não conheço sobre menstruação e feminilidade. Temos notado algumas coisas estranhas.

Durante séculos desenvolvemos uma cultura de nojo do nosso próprio corpo. Rejeitamos algo natural que acontece com todas, o tempo todo e não é menos do que normal e saudável. A mulher odeia menstruar. Odeia o sangue, odeia o cheiro do sangue, a quantidade de sangue. Odeia sentir dor, odeia sentir raiva, stress. Odeia chorar por nada, odeia olhar no espelho e ter vergonha. A mulher se odeia. Tem medo de manchar, de vazar, de marcar a roupa. Por muito tempo eu tinha vergonha de ir até a perfumaria comprar absorvente, tinha vergonha que desse pra ver o pacote dentro da sacola na rua, tinha vergonha o caminho todo entre a minha carteira e o banheiro quando precisava me trocar na escola, e ficava enfiando o negocio dentro da manga, afundando no bolso da calça – eu e mais um monte de garotas.

Apelidamos o momento de “Piores Dias”, “Aqueles Dias”, e ouvimos isso até nas propagandas, que mostram como você só vai se sentir bem durante a menstruação se usarem a marca X. Cólicas e TPM então, viraram desculpa para muitos (e muitas) – apesar de eu achar que isso é também fruto de falta de contato com você mesma, considero um desaforo esses momentos serem tratado com tanto desdém, ou virarem justificativa pra relevar uma opinião ou atitude. Porque não, meusamor. Você vai se sentir bem durante o mês todo, não tem motivo pra não se sentir.

Ainda em tempo, tava ai nas internets esses dias, a noticia da menina Kiran que correu uma maratona inteira menstruada e sem usar absorvente, como um protesto pra que as mulheres deixem de ter vergonha e esconder a menstruação, e pelas mulheres que não tem acesso aos produtos básicos de higiene feminina. É claro que vi a noticia em vários sites, e os textos e motivos eram muitos e contradizentes, mas os comentários, a reação é sempre a mesma. Homens e mulheres também (o que mais dói), criticando, xingando e atacando a atitude de Kiran. Diminuindo o protesto, comparando a menstruação com outros fluídos e reações naturais do corpo. O que prova mais uma vez a importância de falar, de se conhecer, de se aceitar. E às vezes eu acho que falta tanto amor para com o próximo no mundo, porque ainda falta muito amor próprio. A mim, eu tenho cada vez mais e ainda falta, porque se tem coisa que não chega nunca é o amor.

Então levantem seus copinhos e brindem comigo: Ao sangue, à si e aos outros, amor!

Este não é um post bonito

Eu já tinha planejado fingir que esqueci o BEDA hoje, já tinha planejado assistir um episódio de qualquer coisa e dormir. Aí abri o facebook por causa do hábito maldito e, como acontece o tempo todo na internet, eu fui levada à diversas outras coisas que não apenas uma série no Netflix. Já tinha ouvido falar no vídeo da tartaruga, mas também, como de praxe, não sabia do que se tratava e passou. Mas agora, agorinha mesmo, eu descobri o que é o vídeo. Segue este, e o motivo de eu ter aberto o WordPress assim que ele acabou, é bem claro.

Desculpa, gente, este não é um vídeo bonito. Eu gosto de falar e mostrar coisas legais, gosto de registrar coisas bonitas, quero lembrar de coisas boas. Mas esse vídeo é extremamente necessário. É necessário pra que muitos entendam, de uma vez por todas, que a sua passagem na Terra tem a porra de uma consequência. Por mais rápida e desconhecida que ela seja, a sua vida impacta em outras. O que você consome, o que você veste, o que você compra, muitas vezes vive mais do que você.

Eu já fui e ainda sou muito criticada pela minha impaciência com a falta de noção das pessoas. Porque eu sou dessas que reclama quando o vizinho lava a sarjeta com mangueira, quando alguém joga lixo na rua, quando vendem mexerica descascada embrulhada em saco plástico. Porque é muito mais natural e aceitável que as pessoas usem tudo da forma que quiserem, do que alguém ficar indignado com o descaso.

Eu não ligo. Eu não quero entender que as pessoas têm direito de usar água suficiente pra abastecer 30 represas se elas estão pagando por isso, nem que as pessoas ainda acham que podem jogar lixo na rua porque a lixeira estava longe, nem que o tempo de alguém é muito precioso ou que a demanda do mercado exige a produção de canudos. Eu não quero ver lógica no “mas todo mundo faz”, “só mais um não faz diferença”, “alguém vai jogar no lixo”, “no caminhão mistura tudo mesmo”. Está na hora das pessoas verem, assim como é mostrado no vídeo, que o mundo não tem saída, o mundo não tem lixo. Um aterro nada mais é do que o mesmo solo que dá comida, areia de praia não é lixeira só porque já tem um saquinho de sorvete lá, bituca de cigarro não some de um dia pro outro se você jogar na rua. Quer consumir? Consuma, a sociedade criou isso tudo pra você aproveitar o que quiser, mas cuide, a evolução também foi legal o bastante pra te dar a capacidade de raciocínio.
Entendam: O seu lixo é você.

Chega a ser caótico ver uma coisa como essa tartaruga sofrendo pelo descuidado do grande ser superior dono do mundo. E eu aproveito pra mostrar outra coisa. Ela está chorando. E eu chorei com ela. Mas ao mesmo tempo, não dá pra negar, eu explodi de paixão, por todas as pessoas que estavam com ela, pela vontade de trabalhar com e pelos animais, por querer cuidar deles, mesmo que acabe chorando e sangrando junto, e por querer mostrar à quem quiser ver que o que fazemos importa sim – e temos o tempo todo a chance de fazer importar de forma positiva.

Não consegui piscar durante o vídeo. Não consigo mais fechar os olhos pra essas coisas.

E hoje vai ser assim, sem revisão, sem planejamentos, sem muita coesão, sem demoras. Hoje é urgente – hoje eu parei de usar canudos. Hoje é um pedido de desculpas ao resto do mundo.

Desculpa.

50 questions #5 e #6

5. O que você mais gostaria de mudar no mundo?
6. Se felicidade fosse a moeda corrente, o que te deixaria rica?

Não seriam tristeza, nem a dor, nem as doenças. Não seria a Dilma, nem o preconceito, nem a igreja. Se eu pudesse mudar uma única coisa no mundo seria essa ideia de sucesso que ensinaram pra gente que é basicamente a mesma coisa que acumulo material. Ai, lá vem a chic-hippie, branquela, classe média, diz isso mas não acabaria com a pobreza?

É, pois é. Porque, na minha opinião de leiga quando o assunto é economia, eu acredito que não tem como acabar com a pobreza sem acabar com a riqueza. O espaço no mundo é finito, e a paixão pelo poder não é. Enquanto a ideia for ter mais e não ter o suficiente, a pobreza reinará.

Mas e doença? Nada justifica você não querer acabar com elas prioritariamente. Nada enquanto a gente não considera que muitos países morrem por doenças que nós tratamos gratuitamente no SUS, que muitas pessoas aqui mesmo adoecem por falta de infraestrutura básica que não chegou na casa delas ainda, ou porque o governo preferiu investir em Copas e corrupção ao invés de investir em pesquisas científicas.

Ou seja, o problema é a presidenta. Não num país onde as pessoas criticam investimento em transporte não motorizado e na redução de resíduos, não num país onde as pessoas apoiam machismo, homofobia e “justiceiros” de rua.

Um desses, uma vez falou pra mim que existem dois caminhos pra tudo no mundo: o certo e o errado. Esse foi um dos momentos em que mais discordei de alguém. Primeiro porque, obviamente isso é um absurdo, segundo porque isso foi dito como se quem dissesse soubesse a verdade do mundo e qual, de fato, era o caminho certo. Não preciso buscar histórias de pessoas que seguiram exemplos de sucesso e falharam ou vice-versa. Não precisamos nos inscrever numa aula de filosofia que trate de moral e ética. Não preciso dizer que existem muitas religiões diferentes, nem que o caminho de alguém não é o caminho de outro. Não preciso dizer que existem vitórias e vitórias, planos e planos, e que felicidade e satisfação pra um pode não ser pra outro. Não preciso, né?

E no entanto, somos ensinados a aprender para trabalhar, trabalhar para nos sustentar, nos sustentar para sobreviver. E com um efeito dominó, falhamos em um, falharemos no resto. Mas e enquanto isso? Porque não aprendemos simplesmente pelo prazer e necessidade de gerar conhecimento e desenvolver soluções para problemas? Porque não trabalhamos por algo que valha o esforço de um trabalho, por algo que será utilizado por todos? Porque pagamos tanto para sobreviver e tão pouco para viver, e usamos tanto do nosso tempo pra ter um minimo dele depois? Os cinco dias da semana valem o seu domingo?

Ou ainda é possível ser bióloga e viver todos os dias?


E shows seriam de graça, ainda que artistas fossem ricassos

Peitos

Finalmente lembrei de colocar o banner do Think Olga aí do lado.
Finalmente entendi que não tem nada de errado com a minha roupa, nem em me sentir ofendida se um desconhecido passa de carro mandando beijo pra mim.
Finalmente estou aprendendo a amar meu corpo do jeito que ele é, sem sentir a necessidade de torná-lo o que acham que ele devia ser.
Finalmente tomei coragem de pintar meu cabelo de rosa simplesmente porque sim, e apesar de estar me cagando de medo dos possíveis e misteriosos resultados, ninguém tem nada a ver com isso.
Finalmente abri mão do sutiã, já que eu realmente não preciso dele. Não queimei, porque não precisa. Deixei guardado na gaveta porque adoro a sensação de abri-la de manhã e não pegar ele.

Finalmente, hoje reconheço que meus heróis são, em sua grande maioria, heroínas. Percebi depois que, finalmente, vi o video da Amanda Palmer (que já é toda maravilhosa) colocando uma cambada de gente no seu devido lugar.


Vi aqui, tem a história toda 🙂

Falem o que quiserem, o tal do feminismo me libertou. De mim, dos homens, da sociedade e das peças de roupa desnecessárias. E eu recomendo isso a todas. A todos, aliás, recomendo que tirem as algemas, as ferraduras, as vendas e os sutiãs.