Pó mandar mais que cabe

Cabô-se, todo mundo chorando emocionado com lencinho na mão dizendo adeus ao BEDA, obrigada por tudo, volte sempre.

Como aconteceu o mês todo, eu deixei pra postar na última hora do dia, então justo hoje eu ia sair da rotina? Não né!
De qualquer forma o que eu quero dizer a respeito dessa loucura é que o desafio foi um sucesso. Ninguém notou que eu faltei uns dias, que bom, mas nem é essa a questão. O sucesso foi em postar exatamente o que eu queria. Ainda que começasse a escrever forçada ou com uma ideia que eu não botava muita fé, escrevi com o coração. Sem medo de não gostar depois, de ficar estranho, de ficar chato. Escrevi coisas que nunca imaginei como receitas e uma carta ao passado. Lancei de repente o Post-It e me apaixonei pela ideia de escrever mini histórias.
Mas o mais gostoso foi que me inspirei, me assumi e me enfiei num monte de blog com tanta gente linda que já me sinto amiga de infância.

Pra quem não estava fazendo parte dos bastidores, teve uma planilha onde cada um postava, diariamente, o link do blog pra facilitar o acompanhamento, e teve uma coisa que me chocou: não existiu uma unica vez que eu entrei nessa planilha e não tivesse alguém logado, alguém clicando em link, alguém atualizando link. O BEDA não foi apenas um sucesso geral, o BEDA foi um sucesso incessante! O BEDA não aconteceu: foi vivido e transpirado (e suado).

Então aproveitando esse momento de emoções, festividades, comemoração e despedida, vou eu também parabenizar aos envolvidos na maratona e separar um espaço pras alegrias da blogosfera.

Segura o blogroll aí, minha gente.

Ainda que a Jê tome seus chás de sumiço, eu to sempre namorando o Malemolências, um cantinho meio brasileiro meio francês, inteiro amor.
Lieve Juana é uma dose de conforto, cheio de fotos lindas, de neném lindo. Quem estiver precisando de um pouco de paz passa lá, dá um alô pra Iris.
Eu apaixonei no BMRTT a primeira clicada e, apesar de ter vários motivos pra isso, acho que o principal é que eu sinto que a Ba é uma doida divertidíssima daquelas que sai correndo e gritando pela rua quando dá na telha. Será?
A Grazi do Um Toque Pra Você já é toda linda, mas ás vezes rola umas receitas veganas que dá vontade de entrar na tela e enfiar tudo na boca.

E então, veio o BEDA (e podemos a partir de agora dividir nossas vidas em antes e depois dele) e com ele as histórias lindas e os papos sobre o que é Harry Potter nas nossas vidas no Girafas de Papel, gente de bom coração defendendo as pessoas de bom coração no Love is Enough e mostrando que de fato, amar já ta de bom tamanho, pizza demais (será que isso existe mesmo?) no Cinza e Laranja, as dicas lindas pra soltar os cachos no Nunca vesti 36 (e a receita de strogonoff de abobrinha da JoCoeli que muda vidas); O Sol é Para Todos piscando com luzes neon na minha lista de livros pra ler depois do Vem aqui rapidão, e a tal história da Marina much better story than Twilight que me deixou apaixonada lá no Diário de Casamento (e tem um post especialíssimo, que me derreteu o coração todo).

Chega? Não? Tá pouco blog manda mais? Mando. Pra quem quer ver o que mais de lindo rolou, que devia estar aqui na lista, clica e pode se esbaldar, porque tem blog pra aproveitar até o BEDA do ano que vem.

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50 questions #4 e como convencer alguém que você tem algo a dizer

4. Quando tudo estiver dito e feito, você terá dito ou feito mais?

O homem criou o avião, e antes de usar ele pra viajar o mundo e conhecer pessoas e culturas novas, usou para destruir as mesmas. O homem, que tinha boas intenções se matou, antes de poder ver sua fênix renascer.

Uma das melhores invenções do mundo, em poucos anos, vira uma extensão da realidade, como se fosse um puxadinho de outra dimensão. O que acontece aqui é escutado e resolvido várias vezes lá, de diversas formas, por todo mundo. Até a solução chegar aqui, a gravidade a distorce. De boas intenções o inferno e a internet estão cheios.

Estou correndo contra o tempo e ignorando um sono irônico para me manter constante num desafio que lancei a mim mesma. O BEDA já está mostrando para o que veio aos quatro passos da linha de largada. O bloqueio criativo é a gripe dos escritores, todo mundo pega uma vez na vida e não adianta tomar vacina porque ela se muta. Preciso aprender a lidar com isso, já que escrever me traz a sensação de dever cumprido. O chá de hortelã com gengibre pra isso, disseram, é escrever qualquer coisa que passe pela sua cabeça, o que explica claramente esse texto.

O que aprendemos com isso, é que para uma coisa boa surgir, pra uma mínima ideia aparecer, é preciso desenterrá-la, tirá-la debaixo dos montes de lixo que a escondem. Todo gênio tem sua gaveta de ideias ruins. Até o Bill Gates já deixou ser lançado o Windows 8.

E ainda assim, se formos otimistas, e considerando o cenário atual, coisas maravilhosas se constroem diariamente, ainda que levem séculos para serem concluídas. Ainda que levem milhões de gigabites de argumentações, ainda que sejam necessárias gerações e gerações para a definição de um conceito.

Quando tudo for dito e feito, eu terei dito mais. muito mais. Porque nada que é feito terá sua funcionalidade garantida sem a ideia geradora. Porque eu estou aprendendo a valorizar uma boa discussão.

Feliz Agosto!

Bem vindos ao mês mais lindo do ano. Mês em que nascem reis e rainhas, musas do pop, czares russos, santos, escritores bêbados, e eu. Tudo gente boa, chegando nas balada e na vida das pessoas, arrasando no brilho, no glamour, na insubstituibilidade, na modéstia e na perfeição.

E o que dizer desse mês que mal começou e eu já curto pakas? Agosto é um mês muito legal, sem dúvidas. Primeiro que está frio, geralmente, porque é inverno, o que permitiu vários bolos de aniversário com muito morango pra mim. Em agosto podemos também, rir descaradamente das pessoas que acham que este é um mês maldito do cachorro doido e apenas coisas ruins acontecem, ou seja, não sabem aproveitar a vida. E passado uns anos você nem precisa mais tomar vacina!

Depois do meu aniversário e dos trocadilhos super legais que fazemos com o nome do mês e o fato de gostarmos muito dele, o que eu descobri que acontece de legal em agosto é o BEDA (Blog Every Day August). Sim, isso significa exatamente o que você acha que significa: post diários! E como tá faltando desafio na minha vida fácil, falei “vou brincar também, por que não?”.

Isso significa que vamos ter posts interessantíssimos todos os dias?
Não, desculpe, ninguém é interessante todos os dias. O objetivo é dar mais atenção, amor e carinho ao blog e às pessoas que se dão ao trabalho de perder um pouquinho do seu tempo aqui; perder um pouco da auto-crítica e dos preconceitos bloguísticos; conhecer vários queridos novos da blogsfera; desenvolver um pouquinhos as técnicas de wannabe escritora; por em prática algumas coisas que eu sempre deixo pra depois; e claro, ver até onde vamos. Está liberado o bolão pra adivinhar quanto tempo eu duro.

Assim que for disponibilizado, eu coloco aqui o link com todos os doidinhos que estão participando do BEDA pra todo mundo se conhecer, se acompanhar, se comentar, se abraçar e roubar temas uns dos outros.

Divirtam-se muito nesse enorme brainstorm que serão os próximos 31 dias, torçam por mim, amem seus leoninos maravilhosos, e que agosto seja do gosto de vocês.

Agosto em uma imagem

xx: acaso biológico, fardo social

Eu já tinha tentado rascunhar um texto sobre feminismo quando o Rotaroots divulgou os temas do mês, e ainda assim, esse demorou muito mais do que o esperado pra ser escrito. Primeiro pela imensidão de coisas que precisam ser discutidas, e eu nem sei por onde começar. Segundo pela imensidão de resposta dolorida que a gente sabe que vai ser obrigado a ouvir e tenta ao máximo evitar a explosão de ignorância que é jogada na sua cara quando você menos espera, da forma mais estúpida possível. Mas, provavelmente, principalmente por saber que eu não sei quase nada sobre o assunto, porque eu sei que ainda falta muito estudo meu, e porque o que ainda me resta a esclarecer sobre uma discussão que confunde até quem se diz feminista?

Eu que já tive medo numa rua escura e deserta, eu que já tive mais medo ainda numa rua escura enquanto um homem muito maior que eu passava do meu lado e me chamava de gostosa. Eu que já ouvi reclamação de namorado quando um amigo me ofereceu carona na volta da faculdade, que quase perdi a voz de tanto falar não pra alguém que deveria me respeitar, que ouvi “sua vadia”, da mesma boca que dizia “te amo”. Eu que já tive que me soltar de desconhecidos em baladas, que já vi careta de amiga porque falo muito palavrão e “não assim que princesas se comportam”. Eu, que diziam que algum dia ia apanhar de namorado por ser teimosa e bocuda. Eu que tive o tamanho dos peitos como tema de musiquinhas na escola. Eu que já me senti fraca, que senti vergonha do meu corpo.

O que eu tenho a acrescentar? Tudo. Porque me dá agonia ficar assistindo como se não me atingisse. Porque toda mulher, em algum grau e em vários momentos da vida sofreram agressões por serem mulheres, e muitas delas nem sabem disso. Tenho sim, vontade de gritar e de esticar o dedo na cara de quem, por não entender, por não fazer questão nenhuma de entender, diminui os medos que muitas ainda sentem.
É estressante falar sobre o assunto em época de bolsonaros, em um lugar que parece mais absurdo quando se pede respeito, do que quando um homem passa a mão em uma mulher na rua, mas sinto uma urgência em opinar e, felizmente, aqui eu posso me sentar confortavelmente, tirar meu sutiã e queimar ele em paz.

E para aqueles que chegaram até aqui, mas pretendem mostrar argumentos já conhecidos, aquelas questões que nenhuma feminista consegue responder, só que conseguem, segue que:

Feminismo não é a ideia de que as mulheres devem ser ociosas, e que os homens devem trabalhar para sustentar suas namoradas, feminismo não é argumento para embasar preguiça. Enquanto muita mulher luta pra poder ter espaço no mercado de trabalho, com direito a salários iguais aos dos homens de mesma função e formação, muitos outros reclamam que o feminismo quer fazer as mulheres pararem de trabalhar. Não, amigo. Não.

Feminismo não impõe que as mulheres batam nos homens. Nem que elas são melhores. Igualdade é a palavra e fim.

Homem pode ser feminista sim. Essa é nova pra mim: homem não pode ser feminista, homem já é naturalmente machista. Oxi! Homem pode e deve. Começamos pela ideia de que machismo não atinge apenas as mulheres, passamos pela questão de que feminismo é uma ideal e não uma classe social ou algo do tipo. Quem se identifica é, seja protagonista do cenário ou apenas alguém que apoia a luta. Alguém, por favor, me explique o problema na apropriação cultural, do discurso do privilégiado ou seja lá o que vocês acharem que se enquadra.

Feminicídio não é só uma lei em causa própria da presidente. É causa própria de toda mulher desse Brasilzão, que tenha ou não sofrido agressão por razão de gênero (que como já dito, certamente sofreu), e independente de ter votado na presidente ou não. Eu não preciso procurar dados na internet pra contar o tanto de mulher que é estuprada, morta, agredida física e moralmente por um homem que acha que detém direitos sobre uma mulher simplesmente por esta ser mulher (tenha assim nascido ou não). Antes que me perguntem se eu não acho que toda morte é errado, sim, eu acho. A lei também acha. Entretanto, quantos homens morrem por ser homens? quantos homens são vítimas de violência doméstica? Uma lei que torna mais rígida a punição por atos contra a mulher por razão de gênero não é vantagem em direitos para nós. A culpa é das estatísticas.

Se ainda parece absurdo que uma mulher seja também uma pessoa, se você está cansado de ouvir tanta gente falando sobre isso, se você acha que é tudo falta de uma pilha de louça pra lavar, pode se manifestar, tem problema não. Só não garanto que a vergonha vá ser pouca.

motivando (do verbo explicar o motivo)

Ode/əʊd/ noun: 1. A lyric poem, typically one in the form of an address to a particular subject, written in varied or irregular metre. 2. A classical poem of a kind originally meant to be sung.
Awe.some /ˈɔːs(ə)m/ adjective: 1. Extremely impressive or daunting; inspiring awe. 2. informal. Extremely good; excellent. Awesomeness noun.
Oxford dictionary

Ode é um poema lírico originado na Grécia Antiga que se caracteriza pela forma sublime como trata alguém, algo, algum lugar, sendo sempre uma homenagem, uma expressão de admiração. Awesomeness é a palavra inglesa pra algo que podemos traduzir como “maravilhosidade”. É aquilo que é maravilhoso, que é admirável. Nenhum nome poderia ser melhor: o Ode to Awesomeness é a tentativa de homenagear o que eu admiro.

Sempre gostei dessa coisa de ter um lugar pra falar o que quiser, sobre o que quiser, do jeito que quiser, e ainda conhecer gente nova, opiniões novas, enfim. Acho que os blog resultaram numa grande mudança na forma das pessoas se expressarem, e eu andava muito com essa coceira de ter um. Voltar a ter um, na verdade. Acontece que às vezes a gente acha que precisa de um objetivo maior pra tudo e eu não sabia o que fazer de um blog. Pura frescura.

Parei de bobeira, assim, um dia, do nada mesmo. Percebi que eu sinto de falta de um lugar pra organizar as ideias, pra guardar as coisas que eu acho bonitas, pra explicar o que eu penso, e pra me ensinar que eu não preciso de motivos pra fazer alguma coisa que eu tenho vontade.

Mas você é tipo uma grande escritora, Ananda? Não. Então quer ser? Não também. Mas então você tem histórias maravilhosas pra contar? E quem não tem? E você vai só fingir que bloga ou vai ser dedicada e escrever frequentemente? Ai, mas que pressão! Posso só prometer que vou tentar, por enquanto? Tá, mas e eu? Posso voltar? Mas é claro e é mais que bem vindo! Mi blog es su blog.

| Este post foi uma motivação de Rotaroots