Um brinde

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Outra coisa maravilhosa que chegou na minha vida durante o mês de reis e rainhas foi o tal do coletor menstrual. Você já deve ter visto alguma coisa sobre isso em algum lugar: É um copinho de silicone que você coloca dentro do canal vaginal e ele… coleta a menstruação! Ai, que complexo.

Se alguém quer saber, eu diria que o copinho muda vidas. A ideia é daquelas que você procura, cavuca, revira, e não encontra um ponto negativo. Não tem!
Primeiro que ele funciona de uma forma muito simples e óbvia, e pra quem não sabe muito bem como funciona aqui vai um pequeno tutorial bem básico (pelamordadeusa pesquisem quaisquer dúvidas que vocês tenham antes de tentar usar, pode perguntar pra mim, procurar no google, no grupo do facebook, no youtube, mas num vai enfiando o negócio assim antes de saber tudo o que precisa saber): O coletor é de silicone e, portanto, bem maleável. Você dobra ele pra ficar menorzinho, e o introduz tal qual um absorvente interno. Quando estiver bem posicionado, ele se abre, ficando de novo no formato de copinho e coletando a menstruação (que percebemos ser um pouco diferente do que a gente imagina, principalmente nos quesitos quantidade e cheiro). Pode ficar com ele direto por até 12h, e precisa tomar cuidado pra não esquecer que está usando, já que você nem sente ele dentro do corpo. Na hora de esvaziar, você tira, joga uma aguinha e coloca de novo. Antes e depois de todos os ciclos é preciso esterilizar o bonitinho, pra evitar qualquer bactéria, o que da pra ser feito numa panelinha de ágata que você vai usar só pra isso.
Segundo que com ele, você não vai mais gerar uma tonelada de lixo por mês com absorventes descartáveis, e gente, pensa no quanto cada mulher produz de lixo com essas birosca!, sem falar que vai saber o que tem de químico – mas a gente sabe que tem – nele. Consideremos a economia também. Apesar do coletor ser mais caro que um pacote de absorvente, ele dura até uns 10 anos, e 10 anos sem comprar absorvente descartável é uma bela graninha;
Terceiro porque é limpo, e você não é obrigada a ficar com seu sangue coletado em contato com o seu corpo o dia todo como acontece com os absorventes externos, nem tem perigo de vazar (sem você coloca direito, prestenção!) igual o interno;
Mas principalmente, pelo que ele faz com a sua aceitação. Por causa dele, eu tenho falado bastante de sangue, logo eu que nunca gostei dele. Logo nós. Estou aprendendo que não tem nada de errado com ele, ou comigo. Tenho conversado com pessoas que eu conheço e que eu não conheço sobre menstruação e feminilidade. Temos notado algumas coisas estranhas.

Durante séculos desenvolvemos uma cultura de nojo do nosso próprio corpo. Rejeitamos algo natural que acontece com todas, o tempo todo e não é menos do que normal e saudável. A mulher odeia menstruar. Odeia o sangue, odeia o cheiro do sangue, a quantidade de sangue. Odeia sentir dor, odeia sentir raiva, stress. Odeia chorar por nada, odeia olhar no espelho e ter vergonha. A mulher se odeia. Tem medo de manchar, de vazar, de marcar a roupa. Por muito tempo eu tinha vergonha de ir até a perfumaria comprar absorvente, tinha vergonha que desse pra ver o pacote dentro da sacola na rua, tinha vergonha o caminho todo entre a minha carteira e o banheiro quando precisava me trocar na escola, e ficava enfiando o negocio dentro da manga, afundando no bolso da calça – eu e mais um monte de garotas.

Apelidamos o momento de “Piores Dias”, “Aqueles Dias”, e ouvimos isso até nas propagandas, que mostram como você só vai se sentir bem durante a menstruação se usarem a marca X. Cólicas e TPM então, viraram desculpa para muitos (e muitas) – apesar de eu achar que isso é também fruto de falta de contato com você mesma, considero um desaforo esses momentos serem tratado com tanto desdém, ou virarem justificativa pra relevar uma opinião ou atitude. Porque não, meusamor. Você vai se sentir bem durante o mês todo, não tem motivo pra não se sentir.

Ainda em tempo, tava ai nas internets esses dias, a noticia da menina Kiran que correu uma maratona inteira menstruada e sem usar absorvente, como um protesto pra que as mulheres deixem de ter vergonha e esconder a menstruação, e pelas mulheres que não tem acesso aos produtos básicos de higiene feminina. É claro que vi a noticia em vários sites, e os textos e motivos eram muitos e contradizentes, mas os comentários, a reação é sempre a mesma. Homens e mulheres também (o que mais dói), criticando, xingando e atacando a atitude de Kiran. Diminuindo o protesto, comparando a menstruação com outros fluídos e reações naturais do corpo. O que prova mais uma vez a importância de falar, de se conhecer, de se aceitar. E às vezes eu acho que falta tanto amor para com o próximo no mundo, porque ainda falta muito amor próprio. A mim, eu tenho cada vez mais e ainda falta, porque se tem coisa que não chega nunca é o amor.

Então levantem seus copinhos e brindem comigo: Ao sangue, à si e aos outros, amor!

Home, tiny home

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Um tempo atrás eu comentei que estava adorando a ideia de um dia viver numa casa pequenininha, mas que provavelmente desistiria logo. É, então. Não desisti não, muito pelo contrário. A ideia grudou em mim igual chiclete gruda no cabelo. E não sou só eu não, tem um monte de maluco por aí que resolveu mudar a vida e morar igual sardinha.

Tiny House é um conceito de moradia sustentável, onde as pessoas reduzem o espaço em que vivem em troca de outras vantagens – e são muitas. A ideia é ter um estilo de vida com mais independência financeira, hábitos mais saudáveis, mais consciência do seu tamanho no planeta, e mais liberdade. Não trata apenas do tamanho reduzido da casa, mas do que ele proporciona em outros aspectos de sua vida.

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É comum desejar sempre mais. Adoramos as casas maiores, com mais espaço, mais individualidade, mas mal percebemos que muitas vezes tratamos nossa casa apenas como um espaço de isolamento antes de ser um espaço de proteção e conforto, e um lugar onde podemos guardar nossas coisas antes de ser um lugar onde aproveitamos o que temos.

Pouco pensamos no que o lugar que moramos realmente significa para nós e no quanto ele influencia nossas decisões e rotina, em como colocamos ele à frente de outras coisas que deveriam ser mais importantes.

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Então façamos isso agora: Quanto do seu salário vai para aluguel, ou quantos anos de trabalho foram/serão precisos para juntar dinheiro suficiente para comprar uma casa? Do restante, quanto é direcionado para o pagamento de contas de água e energia? Quanto se gasta ainda com móveis, com reformas, com probleminhas aqui e ali, com a decoração, com faxina, com segurança? Bastante?

Se você pudesse tirar umas 4 lâmpadas da sua casa, se você pudesse captar, na sua própria casa, água e energia, quanto você economizaria? Se você tem um emprego que não gosta, mas que paga bem e é necessário para pagar todas as suas contas, essa economia seria o suficiente para que você não precisasse mais desse emprego e pudesse usar o seu tempo para outras coisas mais agradáveis?

Você abriria mão do espaço por esse conforto?

tinyPra ver melhor: 01 | 02 | 03 | 04

Este não é um post bonito

Eu já tinha planejado fingir que esqueci o BEDA hoje, já tinha planejado assistir um episódio de qualquer coisa e dormir. Aí abri o facebook por causa do hábito maldito e, como acontece o tempo todo na internet, eu fui levada à diversas outras coisas que não apenas uma série no Netflix. Já tinha ouvido falar no vídeo da tartaruga, mas também, como de praxe, não sabia do que se tratava e passou. Mas agora, agorinha mesmo, eu descobri o que é o vídeo. Segue este, e o motivo de eu ter aberto o WordPress assim que ele acabou, é bem claro.

Desculpa, gente, este não é um vídeo bonito. Eu gosto de falar e mostrar coisas legais, gosto de registrar coisas bonitas, quero lembrar de coisas boas. Mas esse vídeo é extremamente necessário. É necessário pra que muitos entendam, de uma vez por todas, que a sua passagem na Terra tem a porra de uma consequência. Por mais rápida e desconhecida que ela seja, a sua vida impacta em outras. O que você consome, o que você veste, o que você compra, muitas vezes vive mais do que você.

Eu já fui e ainda sou muito criticada pela minha impaciência com a falta de noção das pessoas. Porque eu sou dessas que reclama quando o vizinho lava a sarjeta com mangueira, quando alguém joga lixo na rua, quando vendem mexerica descascada embrulhada em saco plástico. Porque é muito mais natural e aceitável que as pessoas usem tudo da forma que quiserem, do que alguém ficar indignado com o descaso.

Eu não ligo. Eu não quero entender que as pessoas têm direito de usar água suficiente pra abastecer 30 represas se elas estão pagando por isso, nem que as pessoas ainda acham que podem jogar lixo na rua porque a lixeira estava longe, nem que o tempo de alguém é muito precioso ou que a demanda do mercado exige a produção de canudos. Eu não quero ver lógica no “mas todo mundo faz”, “só mais um não faz diferença”, “alguém vai jogar no lixo”, “no caminhão mistura tudo mesmo”. Está na hora das pessoas verem, assim como é mostrado no vídeo, que o mundo não tem saída, o mundo não tem lixo. Um aterro nada mais é do que o mesmo solo que dá comida, areia de praia não é lixeira só porque já tem um saquinho de sorvete lá, bituca de cigarro não some de um dia pro outro se você jogar na rua. Quer consumir? Consuma, a sociedade criou isso tudo pra você aproveitar o que quiser, mas cuide, a evolução também foi legal o bastante pra te dar a capacidade de raciocínio.
Entendam: O seu lixo é você.

Chega a ser caótico ver uma coisa como essa tartaruga sofrendo pelo descuidado do grande ser superior dono do mundo. E eu aproveito pra mostrar outra coisa. Ela está chorando. E eu chorei com ela. Mas ao mesmo tempo, não dá pra negar, eu explodi de paixão, por todas as pessoas que estavam com ela, pela vontade de trabalhar com e pelos animais, por querer cuidar deles, mesmo que acabe chorando e sangrando junto, e por querer mostrar à quem quiser ver que o que fazemos importa sim – e temos o tempo todo a chance de fazer importar de forma positiva.

Não consegui piscar durante o vídeo. Não consigo mais fechar os olhos pra essas coisas.

E hoje vai ser assim, sem revisão, sem planejamentos, sem muita coesão, sem demoras. Hoje é urgente – hoje eu parei de usar canudos. Hoje é um pedido de desculpas ao resto do mundo.

Desculpa.

Segunda sem carne #2

Dando uma pesquisada no tema, encontrei vários números diferentes relacionados à produção de carne no Brasil. Os dados de extensão do território para pastagem, por exemplo, variou entre 150 a 220 milhões de hectares. Os número, entretanto, não significam muito para mim, porque eu não sei quanto é 70 milhões de hectares de diferença, mas eu imagino que seja bastante (um hectare é igual a 10 mil m², então imagina). Ótimo que os animais aqui no Brasil sejam criados em pasto? é, é mais ou menos, vai. Acontece que ainda se desmata pra criação de pastagem, trocando florestas inteiras por um espaço enorme destinado aos animais, ou melhor, à produção de alimento animal. Não acho que seja o caso, mas se for preciso até posso comentar a importância das florestas pro mundo de forma geral. Considere isso somado ao espaço usado para a plantação de soja que alimentará esses animais, mais a água necessária durante o processo (por volta de 15 mil Litros). Não é a toa que a pecuária é considerada uma grande culpada pelo aquecimento global.

Enquanto isso, podemos ver no dia-a-dia, uma enorme e ferrada crise da água; a clara falta de espaço dentro das metrópoles, onde a cidade cresce verticalmente; desnutrição e fome, mesmo que haja um açougue e uma franquia da rede de fast-food do palhacinho a cada esquina. Alguma coisa não faz sentido aí. Agora imaginem, por exemplo, que a gente possa tirar o produto final, e transformar o produto secundário no final: ao invés de dar soja pras vaquinhas, a gente come a soja. Se o espaço necessário para plantar um pé de soja é muitas vezes menor que o necessário para plantar criar um boi, se a água necessária é menor, se o tempo de espera é menor, podemos afirmar que o preço desse produto no mercado, seria bem menor que o do outro. Se os nutrientes da soja basicamente substituem os da carne, ou ainda que seja preciso alguns outros produtos agrícolas para garantir uma ótima nutrição, seria errado afirmar que temos uma boa melhoria para a desnutrição no país? Eu acho que não. E então seria uma falácia afirmar que o mercado é responsável pelos problemas de desenvolvimento e pela desigualdade social?

Strogonoff de abobrinha

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E aí, na semana passada, a JoCoeli deixou um comentário fofurito dizendo que gosta de strogonoff de abobrinha. É o que? Strogonoff de abobrinha? Eu nem sabia que existia coisa dessa! Existe, gente, e não é que é ma-ra-vi-lhoooooo-so o treco? Eu devia ter pedido pra ela passar a receita dela (e aliás estou pedindo, você Jo, e você outro leitor, passe sua receita sem carne predileta), mas achei por aí na internet. É facílimo, ó. Começa no mesmo esquema, refogando a cebola picadinha, enquanto corta a abobrinha em pedaços (não necessariamente pequenos), pra logo depois juntar na panela com a cebola e um pouquinho de sal e deixar a abobrinha refogar também. Quando estiver com cara de não-crua, coloca uma caixinha de creme de leite, noz-moscada, e um pouquinho de mostarda pra ficar com um gostinho mais picante. É só isso! Sim, juro. Eu também fiquei chocada, e não queria parar de comer nunca. Obrigada pela dica, Jo, eu te abracei mentalmente naquele momento. ❤

Se fala tangerina ou biscoito?

Hoje se faz necessária uma pequena pausa. E uns gritos de surto. Hoje provamos que a Terceira Guerra só vai acontecer se alguém trouxer o botão de destruir o mundo numa bandejinha. Hoje alguém juntou as piadas do cúmulo da burrice e da preguiça numa só. Hoje a humanidade inventou a mexerica de pacotinho.

enhanced-3869-1436890023-4fonte: inferno internet toda

Depois de um bom tempo chocada olhando essa imagem e juntando toda a indignação que ela me proporcionou, eu posso tentar citar as mil palavras que estão sendo ditas aí.

1. O teste

Eu faria AGORA aqui se tivesse uma mexerica, mas faça você, amiguinho, o teste. Pegue uma mexerica; Descasque a mexerica; Deixe a fruta aberta por 24h e depois coma; Descreva detalhadamente nos comentários a experiência. Tá gotoso?

2. O motivo

Vivemos num mundo onde os dias tem 2h30min de duração? Nossa expectativa de vida é 40 dias? As redes sociais tomam muito tempo? A mamãe colocou alguém de castigo e disse que não ia mais preparar a lancheira? Algum palpite? Alguém? Quando descascar mexerica deixou de ser a coisa mais rápida e intuitiva da história do planeta?

Esperando elas se descascarem

Consideremos que quem inventou isso tinha a melhor das intenções: poupar o trabalho das pessoas. Mas vem cá, poupa mesmo? Eu levo mais tempo pra abrir o plástico da embalagem do que pra tirar a casca da fruta. Mas vamos além, claro, não vamos parar na nossa rotina ordinária. Vamos para…

3. A questão em si

Imagino que nossos pais/avós também tenham achado um absurdo quando viram que os filhos deles não comeriam mais as frutas nos pés, mas as comprariam nas feiras e mercados. Uma pena que vivemos num lugar com mais mercado do que árvore frutífera ao nosso alcance? Uma pena. Mas não sendo a zuera, tudo tem limite. A valorização do tempo e do esforço tem limite. A comercialização tem limite, a industria alimentícia tem limite.
Imagino que vocês saibam que existe um processo que leva a comida até o mercado enquanto não estamos olhando. Isso envolve 1) o cara que tá ali no pedacinho de terra plantando e colhendo – ele tem uma família pra sustentar, ele produz trabalho, ele é (mal) pago pra isso, ele tem o preço do seu serviço variado conforme o mercado porque ele não é o único cara que planta alimentos. Ele, como você (se você não for dono de um monopólio), dança conforme a música. O trabalho dele, por mais natural que seja um alimento crescer na terra, consome água, espaço e, muito provavelmente, agrotóxicos.  2) o transporte do produto – que pode até ser feito pelo mesmo cara, ou não, mas que quer dizer outro tipo de trabalho, água e combustível gasto no trajeto, etc.

Parece uma coisa boba, mas quando a gente coloca isso num isopor, uma porrada de outras fases aparecem no processo. Começamos com a produção da embalagem: plástico, que vem do petróleo, que é um recurso, não só esgotável, mas extremamente disputado e motivo de guerras, e usado pra um monte de outra coisa-não-tem-necessidade-de-mais; etiqueta, material não reciclável, ainda mais quando tem tinta, que é tóxico geralmente, ou seja. Então podemos multiplicar o quanto é gasto de água, combustível e material na produção e transporte da etiqueta, do plástico, do isopor. Agora você vai lá no mercado e pensa em todos os alfaces, os pepinos, os feijões, os…

Hurts like reality

“Ah, mas isso é bom, porque significa que tem mais trabalho, então tem mais gente trabalhando, então eu to gerando empregos”. Não. Não tá, coração. Talvez esteja ajudando a indústria a contratar mão de obra barata num trabalho que não leva a nenhum ponto muito longe da destruição do planeta e que não proporciona nada de qualidade de vida, mas não, você não está salvando o país da crise de desempregos ou algo do tipo. Aliás, quanto trabalho desse processo todo R$2,89 paga?

4. O óbvio

Eu, simplesmente, não concebo como alguém é capaz de abrir mão daquele momento mágico em que você tira o primeiro pedacinho de casca da mexerica e, de repente, o mundo é mexerica. Aquele cheirinho invade sua vida como um unicórnio laranja, te trazendo apenas boas memórias, e ele fica na sua mão, te tornando incapaz de sentir alguma coisa ruim pela próxima meia hora. Tudo fica doce e laranja e feliz. Coisa que isopor nenhum vai fazer por você.

Colocar a mexerica no potinho de perfume que é bom, ninguém coloca, né?

Comprar suco de caixinha e jogar a embalagem no lixo orgânico

Pois bem.

Talvez eu tenha, oficialmente, voltado ao meu estado natural de naturalizar a vida social. Que eu tenho uma tendência a preferir as coisas sujas de terra vocês devem ter percebido, mas ultimamente eu tenho aprofundado minhas agonias com o nosso relacionamento com o mundo. Queria demonstrar que não sou tão estranha assim, que o mundo atual realmente não faz muito sentido às vezes, mas como textão-desabafo é repelente, cá está o modelo alto astral de algumas das maluquices cotidianas das coisas que o homem precisa parar de fazer com a casinha que o papai do céu deu pra ele.

1. Asfaltar o super mercado gratuito

Todos nós sabemos que existe um processo de fabricação de alimentos muito simples chamado “plantar a semente no chão e deixar crescer”. Em algum momento resolvemos optar por outro processo que é um pouco mais complexo: 1º passo: Pegamos o petróleo que está embaixo da terra e colocamos por cima, impedindo que a comida consiga crescer; 2º passo: Plantamos a comida num lugar bem pequeno, que ninguém sabem bem onde é, nem o que tem lá; 3º passo: Enrolamos a comidinha num monte de saco plástico e levamos ela do ponto indefinido para o ponto super mercado; 4º passo: Depois de trabalhar diversas horas por dia e recebermos algum dinheiro por isso, pegamos uma parcela desse pagamentos, dirigimos por cima do petróleo que agora está em cima da terra até o mercado e trocamos esse dinheiro pela comidinha. Aquela que nasce da terra, isso mesmo.

Gente, é de g r a ç a!

2. Colocar água em garrafa e torneira

Atualizem os livros de ciências das escolas com o Ciclo da Água moderno: “Futucamos florestas e rios para purificarmos a água poluída e as pessoas poderem beber e se limpar” > “As florestas não evapotranspiram água porque não tem mais floresta, então quase não chove mais” > “A água que está na atmosfera precipita, caí na superfície, inunda tudo, se suja toda, e vai pra algum rio” > “No rio a água pode continuar lá nojenta imunda, ou ir pra estação de tratamento onde vamos colocar fluor, cloro, sódio, chamar de potável, e mais umas coisas, e você vai beber achando que tá delicia”. Sabia que quando você compra uma garrafa de água, você está literalmente comprando o trampo de por a água numa embalagem?

Queria ir comprar água pra matar minha sede, mas não pára de chover.

3. Não se importar com o seu lixo

Cada vez que vai beber um cafézinho no trampo é um copinho, cada 5min de preguiça de espremer uma laranja é uma garrafinha, cada janta é uma porrada de bandeijinhas de isopor de comida já picada, cada pausa pro cigarro é uma bituca a mais no chão. E diariamente repetimos o mantra do “Todo mundo faz”, “Mas eu vou jogar tudo no lixo depois”. Isso num país que ainda pena para acabar com lixões, meusamigo, vale de nada, viu?

3. b. Achar que está gerando empregos

Apenas parem, porque eu não consigo nem formular uma frase delicada pra explicar claramente que se você acha que é ok jogar lixo no chão porque está gerando empregos de catadores, você é um babaca.

Fiquei triste quando me demitiram do circo, mas agora ta tudo bem.

4. Achar que você é uma espécie a parte (e a mais legal de todas)

Você não é. Você vive no mesmo mundo que todos os outros seres, você usa a mesma água que as outras espécies, respira o mesmo ar, tem um processo de vida basicamente igual e metade do seu DNA é idêntico ao de uma banana. Vamos aprender a conviver, ta certim?

wow!

O primo chato

É um tanto difícil escolher por onde começar a argumentar com alguém sobre a preocupação ambiental. Convenhamos que, por mais que seja uma coisa um tanto que óbvia, o negócio é complexo, porque envolve mais um monte de outros temas chatos.

Começando pelo seguinte: Existem duas forças que regem a humanidade atualmente e que, estranhamente, se opõem fortemente com a questão. A economia e a religião. Numa visão bem simples e lógica, é de se esperar que as duas sejam aliadas à preservação, mas parece que elas andaram para o caminho errado. A primeira, que depende intensamente dos recursos naturais para existir e crescer, acaba abusando, como se árvore surgisse da noite pro dia. A segunda, que nos apresenta um ser que criou tudo e todos – mas tinha carinho especial pelo ser humano -, e deixou claro no livrinho das regras de todas as coisas, que as plantas e bichinhos são bonzinhos, mas existem exclusivamente para nos servir (obviamente estou generalizando e me referindo aos reis-do-mundo-eua-e-europa, capitalismo e cristianismo).

Pra não estender muito o texto (e porque eu gosto de debater por partes), não quero falar agora dos outros absurdos relacionados aos dois colegas aí de cima, apenas (ac)usar como introdução à pergunta que fez eu decidir pra que lado ia levar a minha vida (serião!):

Quem disse que o mundo é da espécie humana?

Quem disse que o homem é melhor, que o que está aqui é nosso, que a vida humana vale mais do que a vida de outra espécie? E eu estou perguntando sério, então, se pra você o antropocentrismo faz sentido, por favor, me explique.

E tome cuidado, porque se pra você não é óbvio que estamos caminhando pra um enorme abismo por não nos perguntarmos isso ou por não nos preocuparmos em responder, saiba que eu quero, sim, te doutrinar. Porque eu vejo esse tal homem-moderno como aquele primo chato que chega na sua festa, destrói seus brinquedos, rouba seu doce e fica com cara de quem não fez nada de errado. Ninguém gosta desse primo.