Bótu! A lojinha mais bacana do Brasil

botu logo redondo
E então, vocês estão prontos pro primeiro post de auto-merchant desse blog maravilhoso? Preparem seus corações para conhecer a recém-nascida lojinha dos mais carismáticos e emblemáticos bottons do planeta. Bottons? Isso mesmo, bottons, aquela coisa redondinha que você prega na jaqueta e na mochila, e no estojo e na bolsa, e no boné, e na pochete, por que não? Ué, mas isso não tem tipo, em toda loja da Galeria do Rock? Ter tem, mas não tem igual os da Bótu!

Não?

Aah, coração, não tem.

Porque um bótu! não é um bottom qualquer. Um bótu! é todinho feito à mão, pelos meus encantadores 10 dedinhos – e por esse motivo mesmo, ele é único, igualzinho uma pessoa de carne e osso – com linha colorida, com carinho e paixão, estilo e dedicação, esmero e atenção. Um bótu! serve pra definir sua alma, exprimir seus anseios  e te encher de inspiração. Um bótu! é um carinho com alfinete, e você pode namorar eles agorinha mesmo – e encomendar também que eu fiz até um email especial pra receber um milhão de pedidos.

Amou bem amado? Então segue nóis no Facebook e no Instagram pra não perder as novidades, marca a família e a vizinhança toda, e manda um email pra botustore@gmail.com pra fazer as encomendinhas. ❤

The boy who lived (ou sobre reviveres)

Este é um post para se ler ao som de Hedwig’s Theme

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Das coisas de infância de a gente lembra com carinho, uma, certamente clara, é a do momento que abri o primeiro livro da série Harry Potter, numa época em que nem o 4º livro existia ainda, li a primeira frase e parei. Eu estava no meu quarto e tive que descer as escadas, ir até a cozinha e perguntar pra minha mãe, “Mãe, porque aqui tá agradecendo que o Senhor e a Senhora Dursley gostavam de ser normais?”. A primeira coisa que eu aprendi com Harry Potter (que na verdade a mãe que explicou) é que “muito bem, obrigada” é só um jeito de falar e que eu não devia me preocupar com isso e continuar lendo. Eu continuei. E não preciso nem dizer que a partir daquele momento eu fui, sou e sempre serei, uma Potterhead.

Algumas obras passam a fazer tanto parte de você e a gente mal sabe, mas Harry Potter tem pra mim, e tem pra muita gente (um beijo no coração de todos vocês que entendem), uma grande parcela de influencia sobre o que sou. Tantas crianças que aprenderam a gostar de ler, e tantas pessoas que se identificaram com tantos personagens de alguma forma, e tanta gente que aprendeu a encontrar a luz na escuridão e se inspirou em algum momento, e tantos outros se encontraram em um mundo que ninguém te perguntou se é verdadeiro ou não porque não importa, Hogwarts vai ser sempre o melhor lugar do mundo. E não importa onde você esteja, enquanto tiver alguém que gosta tanto quanto você da história (e não é difícil encontrar) você terá um amigo.

Os filmes eu sei de cor, mas precisava ler de novo os livros. É que não seria a mesma coisa, reviver uma história que já se sabe o final, conhecer de novo personagens que já viu morrer, entender metáforas e situações que antes você ignorou e que talvez mude muito a forma de você perceber a história. E se não for tão mágico assim? Eis que depois de, o que?, 10 anos, muita enrolação, e vários tweets lindos da tia Jo, chegou o dia em que nada parecia mais certo do que abrir o livro pela segunda vez e voltar aos meus 9 anos de idade. E já estou rindo a cada frase igual uma garotinha rica contando suas bonecas. Em outro tipo de livro, em outro idioma, em outra eu, é diferente mas é igualzinho.

Pois então esperem por muitos posts meio-mágicos-meio-trouxas, surgindo entre um capítulo e outro se eu conseguir largar um pouco o livro, muito bem, obrigada.

Dias estranhos

Dias como hoje são especificamente estranhos.

Dias como hoje são nostálgicos de tantas formas que desconcertam o coração. São frios como a época que eu vivi a síndrome das noites terríveis, uma doença que talvez não exista e por isso eu mesma tive que dar o nome, e que se assemelha de uma certa forma com a depressão, fazendo as pessoas ficarem aterrorizadas com a incerteza do futuro próximo que é o amanhã, e tem dois sintomas muito claros: uma agonia crônica, que aumenta conforme os minutos se aproximam da escuridão do fim do dia, que faz você perceber que mora dentro de um espiral sem fim de dias e noites; e uma ansiedade angustiante pelo momento do topo da onda chegar, porque apesar de saber que vai chegar, você não pode fazer nada pra apressar as coisas. É como respirar quando o inspirar é profundo e macio e tranquilo, e o expirar seja sufocante e doído. Tudo o que você quer é que os dias existam sem que o tempo passe e seja sempre aquela hora da tarde em que você chega da escola e pode fazer o quiser antes de ter que tomar banho e jantar, antes do terror aparecer, antes de você se prometer que hoje vai ser diferente e hoje você vai suportar porque você sabe que todos os dias são assim e no fim tudo fica bem – mas não fica. Dias como hoje me dão vontade de pegar a criança que eu fui no colo, e abraçar tão apertado que nenhuma de nós ia ter que pensar em alguma coisa.

Mas ainda assim, durante as tardes e as noites em que tudo estava bem, e as manhãs e boa parte do tempo todo, eu provavelmente estava com a cara em algum livro, ou com a cabeça em outro lugar. Crianças têm a vantagem de não serem obrigadas a viver na realidade, e dias como hoje me fazem lembrar do deserto colorido da História Sem Fim, e do Beco Diagonal, e dos irmãos Baudelaire, e da Sininho, que é tão pequena que é incapaz de sentir duas coisas ao mesmo tempo, e então eu acho que devo ser grande demais, porque o calor do Sol de dias como o de hoje me deixam contente. Ainda que triste. Ainda que esteja frio. Ainda que esteja calor.

Ainda que eu não entenda nada de como dias como hoje são tão capazes de interferir no meu humor, é em dias como hoje que, invariavelmente, eu tenho vontade de estar nesse mundo, e fazer alguma coisa, e escrever o que eu sou, e ser todos os dias assim, inspirada.

Não vai ter post

Hoje não vai ter post.

Apesar de fazer dias que não marco um xis no item “escrever no blog”da agenda e isso me incomodar toda vez que olho. Hoje eu vou aceitar e engolir a falta de criatividade como quem toma um xarope ruim de um só vez e faz careta pra espantar o gosto.

Apesar dele piscar na minha cara, nas redes sociais, na televisão, não é hoje que eu vou escrever a minha opinião sobre o golpe vestido de impeachment que está acontecendo no país e o mundo inteiro passou dando uma olhada, como quem passa virando o pescoço pra ver o pai batendo na criança no meio do mercado porque ele não consegue só explicar pro filho que não vai comprar o doce porque não tem dinheiro, enquanto a gente é a criança que só quer comer o seu docinho de direito mas nunca vai ser mais forte do que o pai (que tem dinheiro sim, mas vai gastar com outra tranqueira qualquer que a gente nem quer, tipo uísque).

Apesar das ilegalidades que eu vejo e das que eu presumo, e das que eu nem imagino, não é hoje que eu vou fazer um texto sobre o subemprego que eu tenho, que me exige nada além de abrir mão dos meus ideais, dos meus interesses, do meu intelecto, e que inibe a pro-atividade, que desvaloriza a minha formação, que ignora qualquer capacidade que eu tenha.

Hoje eu não tô afim. Nem de desabafar, nem de pedir alguma coisa, nem de entender, nem de lutar. Hoje eu tô cansada.

É por isso que hoje não vai ter post.

59:59

Ok, você e a galera entram numa sala estranha pela primeira vez pelo motivo mais simpático que pode existir, ninguém queria encrenca nenhuma, mas o mundo não é legal com os de bom coração e quando você pensa ‘é talvez a gente devesse sair daqui, galera, que tal?’ a porta vai fechando com um rangido agudo e bate fazendo vocês perceberem que estão trancados e a unica coisa que pode acontecer a seguir é: dar ruim. Tudo bem, tudo sob controle, você é uma pessoa esperta, calculista, vocês vão sair dessa antes do vizinho que talvez seja um psicopata voltar, e olha só, talvez ele nem seja tão psicopata assim. É só mantar a calma, avisar todo mundo pra manter a calma e talvez dar um tapa na pessoa que está choramingando – quer dizer, talvez seja você mesmo que esteja. Pensa, gente, como qualquer lugar assustador, a saída esta exatamente aqui dentro, afinal de contas que ladrão não deixa um lembrete da senha da porta do cofre dentro do próprio cofre? e que maníaco não esconde as chaves embaixo do tapete com um pequeno detalhe que lembre ele de qual cofre mesmo é aquela chave? Que assassino não deixa um controle reserva da porta de casa dentro de uma caixinha escondida no taco falso do piso? Só o que vocês precisam fazer é encontrar isso em menos de uma hora e voltar às suas vidas normais como se essa não tivesse sido a maior burrada do mundo. E também tem a chance do vizinho não ser tão psicopata assim.

Nos meus tempos de menina, que eu passava várias horas solitárias em casa, eu tinha esse certo vício em jogos de escape. Eles te faziam instalar uns java flash sei lá o que e, geralmente, eram bem feinhos, que você se perguntava ‘sério, quem decoraria uma sala desse jeito?’. Eles te faziam adquirir a síndrome do clique frenético, ansiedade e medo de espelhos, mas por outro lado você aprendia a esconder qualquer coisa num vaso de planta, com a segurança de que essa coisa só seria encontrada quando a planta fosse regada. Você aprendia códigos, aprendia a fazer uma chave de fenda com uma régua, aprendia a transformar um ventilador em um helicóptero e a fugir de uma ilha dentro do papo de um pelicano. Você era basicamente invencível.

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E por isso eu sempre vi essas horas que passei jogando mais como um investimento, sabe? Porque as garotas da minha idade podiam até beijar na boca, mas essa é uma habilidade que não serviria de nada se alguém prendesse elas na masmorra de um castelo, né mesm?

Hoje eu sei que os jogos de escape online me prepararam para um momento de extrema importância na minha vida, algo que somente vivendo para entender que tudo não era apenas um capricho, mas um aprendizado para a vida: os Jogos de Escape de Vida Real! (imaginem um letreiro piscando com tambores ressoando ao fundo).

Como tudo o que a internet tem de bom a natureza copia, agora temos emoção em tamanho real. Hoje eu entendo as pessoas que brincam de tetris humano, e se vestem de Mario, porque hoje eu lembro de quando eu era pirralha e pensava ‘imagina só que loco se eu tivesse trancada numa sala’ e rio risadas humoradas de alegria porque eu sei que loco seria se eu tivesse trancada numa sala. Hoje eu digo pra vocês, crianças, uma das coisas mais tocantes da vida é o ‘clic’ do cadeado abrindo com aquela senha impossível.

E olha que hoje em dia eu beijo na boca.

50 questions #9 e um buquê de rosas

9. Em que nível você tem, de fato, controlado a sua vida?
Esse post está pronto na minha cabeça há algum tempo, e uma força sobrenatural o prendeu até o dia de hoje, o Dia Oficial do Textão. E pra homenagear todas as cabeças pensantes, estamos de volta com mais uma resposta filosófica, esclarecendo como a vida funciona.

Por algum tempo, que equivale a praticamente minha vida toda, eu tinha na mente que quem cuida da minha vida sou eu. Que estamos aqui apenas uma vez, então devemos fazer o que temos vontade, do jeito que queremos e tudo mais.

Recentemente eu aprendi que não é bem assim, porque eu percebi que nasci mulher. É claro que nascer mulher não é problema nenhum-muito-pelo-contrário. Acontece que eu nasci mulher num mundo de homens, e isso significa que eu não posso fazer uma lista considerável de coisas que eu gostaria, tipo me sentir segura.

Eu nasci menina num mundo em que mulheres não podem viajar sem a companhia de um ser superior-homem, e que são estupradas, e que são mortas, e que são submissas, e que são assediadas diariamente. Eu nasci escancarada num mundo em que meninas têm que sentar de perninha fechada, e nasci com calor num mundo em que menina tem que usar roupa comprida pra não chamar atenção na rua, e nasci dondoca num mundo onde as meninas têm que arrumar a casa e a comida e as roupas do marido. Eu nasci nervosinha demais em um mundo onde as mulheres têm que ficar quietas, e sem um pingo de paciência num mundo em que garotas devem sorrir e rir das piadas dos rapazes pra que eles se sintam no controle da situação.

Eu nasci num mundo em que se uma mulher é independente ela é chamada primeiro de bruxa e daí é queimada, depois de rebelde e daí é presa, depois de louca e daí é internada, depois de feminista e daí é espancada. Eu nasci escandalosa em um mundo onde, se eu quiser alguma coisa, eu vou precisar fazer um escândalo, e se eu não preciso fazer é porque alguma outra louca já fez por mim.

Eu nasci num mundo onde chamam o maior grupo de minoria, e a “maioria” que tem tantos pré-requisitos pra se existir, é capaz de controlar a minha vida em, talvez, todos os seus aspectos.

E por mais feio que seja, poderia ser pior. Eu poderia ter nascido extremamente pobre num mundo de ricos, eu poderia ter nascido negra num mundo de brancos, eu poderia ter nascido gay num mundo de héteros, ou trans num mundo cis, e tudo seria muito mais difícil do que já é.

Mas dói mesmo assim, porque eu nasci empática num mundo de ignorâncias e egoísmos.

Marmita

Encontre um emprego onde você goste de dividir sua marmita com os colegas de trabalho.

Vá todo os dias para um lugar que, apesar do trânsito e do horário, da pressa e do salário, dos chefes e do cargo, você fique ansioso pela hora do almoço e por todo conforto que ela carrega; pela forma como, de repente, todos os problemas se resumem em torcer pra que ninguém tenha levado ovo pra esquentar no microondas do refeitório. Deixe seu estomago se apaixonar pelo almoço-janta de ontem. Mas principalmente, trabalhe com pessoas com quem você quer dividir esse momento, e a sua omelete; com quem você sabe que pode contar quando a comida estiver acabando mas a sua fome não – ou quando a fome estiver acabando e a comida não. Encontre pessoas que são capazes de serem o alívio cômico do dia-a-dia massante e se tornam tão importantes a ponto de você oferecer sua própria comida. Leve aquela torta que você sabe que a sua amiga adora, porque você sabe que ela coloca um pedaço a mais de lasanha pensando em você. Porque esse tipo de coisa mantém a humanidade dentro do espaço profissional.

Quanto à mim atualmente, eu ando preferindo almoçar jiló.